terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Área de risco


Como se eu quisesse por a própria vida em risco
Como se eu quisesse estar às margens de córregos e rios
Como se eu quisesse deslizar do morro em volto á lamas
Como se eu quisesse enfrentar a natureza, Oficial de Justiça e a Polícia

Quem enfrenta a natureza colocando a minha vida em risco
É quem especula, acumula, exprimem as margens dos rios
Quem nada em dinheiro, poluição e trama
É quem acusa, julga e condena

Eu quero poesia e a beleza da existência
Sentir a vida sem violência
Eu quero espaço sem decadência
Rir sem peso na consciência

A quem se orgulha, os lamentos
Há quem que mesmo humilhado, luta
A quem se ilude, os tormentos
Há quem que no meio do pesadelo, sonha


OTÁVIO SCHOEPS

domingo, 28 de dezembro de 2014

Troll Acadêmico


De tosco que sou
Não sou um Rottweiler amoroso, sou um lobo tosco
De acadêmico que tu és
Não vou debater o alvoroço, sou um vira-lata sincero
Do cão louco que sou
Não sou um cão castrado pelo capital, sou um cão vadio
Do patético enfático que tu és
Não vou me deixar levar por essa onda rasa, sou a maré

A terceira via nada visa
Os olhos cegos de ganância e intolerância
A visão perdida no subterrâneo da terra
A questão não é ser bom ou mau
A via congestionada, nada sabe
Os sentidos estupefados
A visão perdida no obscuro espaço
A questão o que é, Quem lucra?


OTÁVIO SCHOEPS

domingo, 21 de dezembro de 2014

HOLOCAUSTO



Dos holocaustos diários
A diária cara, corpos despedaçados
Dos holocaustos planejados
O plano caro, almas desabrigadas

Dilúvios e desabamentos
Os aflitos temem
Lucros e dividendos
Os corruptos querem

Dádiva vida, morte endivida
A vida enfurecida, morte anunciada
Devida morte, vida e sorte
A morte consumida, vida reluzida

O sacrifício no dia a dia
Os prédios caem às vistas
A jogada do dia
As cartas marcadas são expostas  


OTÁVIO SCHOEPS

sábado, 20 de dezembro de 2014

O escuro universo em verso


A escuridão do universo parece ignorar as nossas pobres paixões
A luz solar parece nos queimar
O ancião parece se cansar de tanto o sol nascer
A sombra lunar parece nos conter

De tanto o sol nascer e morrer
As estrelas mortas a brilhar
De tanto o luzir e refletir
As estrelas são pedaços de espelhos a sofrer

Caminho e exercito músculos que serão comidos por vermes
Viajo e desfruto de paisagens esquecidas
Caminham exércitos desnudos que serão aniquilados por germes
Viaja e ignora as paisagens já vistas

De tantas pobres e podres paixões
O calor obscurece
De tantos trotes e nobres ilusões
O amor padece


OTÁVIO SCHOEPS

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Psique


A loucura, julgada e condenada
Da inquisição à Psiquiatria
A doçura almejada e algemada
Da aceitação à alegria

No decorrer do tempo, o alento
No escorrer do tempo, o vento

A lucidez acumulada e injusta
Da divisão à justiça
A dança sonhada e julgada
Da visão apagada

No correr dos tempos, o tormento
No varrer do tempo, o momento


OTÁVIO SCHOEPS

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Além do sedentário



De todas as revoltas internas e externas
Com todas as doenças criadas e mal curadas
Brotam flores com espinhos
Floresce o veneno

A terra se alimenta de sangue
Alimentam contas, status e a arrogância

De todas as revoltas controladas e aniquiladas
Com todas as massas cortadas e fatiadas
Há um que escapa
Uma nova ameaça

A terra purificada no mangue
Purificam seres, almas e a ignorância

A chave do negócio é a insegurança e o medo
O receio da miséria, miséria é acúmulo
A chave do ócio é o tempo natural
O anseio do lucro, lucro é nulo

A terra seca segue
Seguiram almas secas

A meta atingida e a dívida paga
A dívida que endivida
O carma paga e a evolução propaga
A evolução que ensina

A terra úmida enaltece
Enaltecem almas molhadas


OTÁVIO SCHOEPS

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Tri$te Ca$a


Na triste casa a paz tarda à chegar
A paz em forma de cifrão
Na triste casa as noites são longas de acabar
A paz daqui, quem diz é a televisão

Um pedaço do mundo seu
A terra se rompeu
Um pedaço do mundo se corrompeu
A terra o remoeu

Na triste casa a propaganda foi comprada
Com cheque sem fundo
Na triste casa a venda consumada
Com os pés num poço sem fundo

Sobre os cantos profundos
Nada é seu
Sobre os mantos e os defuntos
Nada sou eu

OTÁVIO SCHOEPS           

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O joio e o trigo


Não coexiste capitalismo e ecologia
Apenas fala falaciosa
Não existe balança favorável
Apenas um peso e duas medidas

Não existe ingenuidade que não seja punida
Apenas belas falas devidamente fundamentadas
Não existe céu sem inferno que não sejam divulgadas
Apenas o medo do feixe e a pele ungida

Não tem erro sem acerto
Apenas o resultado final
Não tem o mero acaso soberbo
Apenas o miserável e o mal

Não tem belas construções que sobrevivam
Apenas as que apontam o céu
Não tem belas ações que sobreviviam
 Apenas as que julgam o fel


OTÁVIO SCHOEPS

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O crente embriagado

                                  
Quando a embriaguez e a lucidez se misturam
O tempo lento a girar
Quando as ideias não têm práxis
O tempo e o vento a girar

Da estrutura podre e carcomida
Seu topo apodrece e caí
Da práxis e dos termos
Seu cotidiano enfraquece e vai

Quando a vida te cobra
Dá as costas e vai embora
Quando a morte te julga
Dá os pulsos e vai embora

De uma maldade saliente
Uma bondade ausente
De uma falsidade vigente
Uma verdade crente


OTÁVIO SCHOEPS

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Agradecimento


O filme acaba, a cortina fecha
Num fundo negro com letras brancas
Nomes escritos e pouco lidos
A vida passa, um filme passa
Num fundo solar com pessoas lunares
Nomes escritos nos túmulos

Agradecer, pedir e a terra girar
Num quadro em branco
Padecer, sentir e a terra girar
Num quadro negro
Proceder, lutar e a terra girar
Num quadro multicor


OTÁVIO SCHOEPS

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Em todos os cantos


No conga, no altar, na caverna, o pedido feito
A previsão vislumbrada
No sonho, no pesadelo, o pedido refeito
A visão embaçada

O previsto malquisto
No agora, no momento, o ato feito
O visto esquecido
No sonhar, no pesar, o ato refeito

Nas brumas e as plumas
O vôo nebuloso
Nas andanças e os becos
O caminhar torto

O traçar e as flamas
No caminhar interrompido
O vislumbrar e as chamas
No torto caminhar


OTÁVIO SCHOEPS

domingo, 23 de novembro de 2014

NEGO


A notícia circula com alarde
A solução é castrar, prender e matar
A polêmica está no ar
A mídia e o alarme

O inimigo público identificado
Aos berros a população julga
O amigo público identificado
Aos berros a população o divulga

Como poste sem luz, os posts propagam
Com a vida ameaçada, as mortes espalham
Como pavio acesso, as notícias vinculam
Com argumentos rechaçados, as mentiras creditam

A solução apontada é um blefe
Aos berros, nego
A polêmica instaurada é um blefe  
Aos berros, nego


OTÁVIO SCHOEPS

sábado, 22 de novembro de 2014

Conhecimento/Sofista/Sofisticado


Conhecimento rotula e desprende
Adequar e julgar
Conhecimento e rótulo frio
Xingar e condenar
Conhecimento e as relações quentes
Queimar e purificar

Conhecimento prende e desmente
Analisar e classificar
Conhecimento e a vida por um fio
Atestar e comprovar
Conhecimento comprado e vendido
Comprar e se vestir


OTÁVIO SCHOEPS 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Partido

Tomo partido
Das dores e dissabores,
Daquilo que está dividido,
Daquilo que não foi nem dito


Daquilo que supera o ambíguo,
Do individualismo de Narciso
Dos odores e as dores
Daquilo que enumera os tremores

Da justiça de Niké
O bem me quer e o mal me quer
Com balança e a espada aos seus pés

A espada dilacera,
Mas não é a justiça que espera
A luta severa,
Mas não é a ideia que persevera

O parto, o fardo e o fato
Partidos, daquilo que a sociedade espera
O mar morto, a vida vendida e o acúmulo
Partidos, daquilo que a sociedade aglomera

Da injúria de Baco, é o viés
O bem mal sabe

Com matança e a culpa pária  

OTÁVIO SCHOEPS/ RODRIGO PETIT

MTST-SP


O prédio central valorizado e simbólico
Não tem cercas brancas, nem tampouco um gramado cheio de crianças
O prédio central cercado de polícia e justiça
Não tem justiça, nem tampouco política

A marcha segue
Morar num prédio ou num cemitério
A mancha segue
Estancar o sangue ou tomar remédio

O acúmulo primitivo e moderno
Não tem água, apenas as avenidas concretas
O cumulo e o absurdo
Não tem ar, apenas a fumaça do progresso

A rotina segue
O passar do tempo alienado
A morfina segue
O passar do tempo amordaçado


OTÁVIO SCHOEPS

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Riopolis


As cidades crescem tortas e mortas, os rios serpenteados
As cidades não civilizam, animalizam, a reta marginal
As pessoas crescem tortas e mortas, a cidade e suas vias
As pessoas não humanizam, animalizam, a via marginal

Dos animais naturais
Os animais civilizados
A cabeça, o tronco e os membros
De nada servem, só servem

As cidades crescem na lógica destrutiva
As cidades conurbadas, não se juntam
As pessoas próximas se odeiam, não se unem
As pessoas decrescem na lógica individualista

Dos animais evoluídos
Os animais no topo
A cabeça, o tronco e os membros
De nada vivem, só morrem


OTÁVIO SCHOEPS

Certa Incerteza


A certeza é o presente passado
Prestes a desistir, resisti
A incerteza é o futuro almejado
Prestes a fugir, defendi

O calor ainda fustiga
Prestes a clamar, exclamei
O frio ainda enrijece
Prestes a aceitar, revoltei

A lei nos puxa para baixo
Prestes a tolerar a gravidade, voei
A liberdade nos empurra para cima
Prestes a ficar sem ar, sufoquei

A beleza é o presente encarnado
Prestes a acreditar, duvidei
A tristeza é o futuro ditado
Prestes a ceifar, iluminei


OTÁVIO SCHOEPS

sábado, 15 de novembro de 2014

Beira Mar


A beira mar debaixo de uma árvore
O vento suave, as folhas se movem
Numa dança cadenciada
O mar azul e as ondas juntas
O céu azul e as nuvens dispersas

Sobre a vida contemplada
Sobre a vida ditada
Sobre a morte anunciada
Sobre a morte editada

A ventania, as folhas caem
A ressaca do mar arrasta
E o céu se acinzenta
Numa força da natureza, justiça divina
O sol se esconde

Sobre os morros desabados
Sobre as ruas alagadas
Sobre o lixo acumulado
Sobre o luxo imaculado


OTÁVIO SCHOEPS

Testamento


Na lavoura a praga é combatida
Na luz a escuridão é negada
Na bíblia o pecado é combatido
Na vida a morte é negada

Na sociedade contraditória
A competição é alimentada
Na sociedade contraditória
A usura é premiada

A lavoura não alimenta, esfomeia
A luz escurece
A bíblia não redime, condena
A vida morre

Na sociedade estamentada
A competição é entre os iguais
Na sociedade estamentada
A usura é o mais e mais


OTÁVIO SCHOEPS

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Sombra e Água


A sombra e a água fresca
Do comum ao improvável
A canseira e a esteira
Da necessidade ao condenável
                               
Ô laia, da mata abundante à monocultura
Da necessidade ao mercado
Ô laia, da cana-de-açúcar à cachaça
Do natural ao transgênico

A sombra das árvores e a nascente límpida
Do natural à natureza vendável
A hora do Sol e a hora do relógio
Do tempo desfrutável

Ô laia, da boiada ao trem de carga
Do caminho empoeirado à estrada enfumaçada
Ô laia, esse mundo velho sem porteira
Das terras cercadas à posse ameaçada


OTÁVIO SCHOEPS 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Simples fato


Simples sem ser simplista
Análogo sem ser anacrônico
Vivo o passado
Sem que os mortos revivam
                                    
Uma piada dita
O escárnio sentenciado
Um fato recriado
O julgo manipulado

Simples é o curso
As pedras no percurso
Vivo a vida
Sem que as atitudes me ditem

Uma brasa acessa
A água ilesa
Um fato consumado
O regresso malfadado


OTÁVIO SCHOEPS

sábado, 8 de novembro de 2014

Labuta

Oh! Labuta bendita Que surra dia a dia
Que tira vida dia por dia
Oh! Labuta bendita
Que aliena a alma
E explora a carne
Exploração, insurreição Negros, brancos, índios e pobres... Na mesma miséria vendida da mesa, da escola, da saúde, Da vida do trabalhador!
Estoura a corrente, No grito da alforria Alforria disfarçada e reforçada pela minoria Que mata na exaustão da combustão Sufoca o grito um pouco por dia na obrigação
Oh! Labuta bendita Oh! Alienação besta! mantém o sistema No disfarce de cada dia Reforçada pela minoria.
O grito ecoa, no grito da historia Na luta de Zumbi, que ainda se faz presente! Liberta o grito da maioria! Na insurreição 
Fernanda Garcia

Belo Monte/Canudos


O clima árido do nordeste brasileiro à Palestina
A luta se trava e o sangue ainda jorra
A pouca seca do sudeste brasileiro à Palestina
A luta se trava e o sangue ainda jorra

A aridez, a pele queimada e a caatinga
Os conselhos seguidos
Antônio Conselheiro Bendito
A aridez, a pele queimada e a mata atlântica
As ordens cumpridas
Coronéis malditos

O clima árido e a palavra que encanta
A luta alimentada
O santo, o mito, o messias
A luta cantada

O santo sepulcro e o sepulcro de tantos
A marcha para o Belo Monte
O campo santo e o campo de tantos
A marcha para Canudos
Os conselhos seguidos
As ordens cumpridas


OTÁVIO SCHOEPS

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Reza e Praga


Entre a pressa e a promessa
O dia escurece
Entre a pressão e a tensão
A noite enaltece

Andando pelas vias congestionadas
O dia se perde
Nadando pelas águas poluídas
A noite se perde

Entre ser presa ou caçador
A vida escurece
Entre ser preso ou libertador
A morte enaltece

Andando pela riqueza
A vida se perde
Nadando na pobreza
A morte se perde


OTÁVIO SCHOEPS

Sobre a miséria da existência


 ``Fui posto a caminho entre a miséria e o sol” (Albert Camus)

  Quanto ao fato de sermos homens nos traz culpa e angústia e toda sorte de sentimentos comuns ao nosso cotidiano podemos exigir o que de nossa vida além de uma revolta anterior a nossa vida. A miséria humana é espalhada por toda a terra e podemos observar todas as condições dos homens frente ao desespero humano não existe precedentes na sociedade moderna em que podemos ver o homem extremamente em descompasso com sua vida não podemos vislumbrar nada apenas podemos ver a cada dia nossa miséria forçando cada vez mais nossas mentalidades. Não podemos exigir soluções da vida ela não nos traz nada mais que uma realidade invertida mistificada pela sociedade mediada pela modernidade podemos então escapar as soluções do cotidiano nos revoltando frente à realidade da miséria humano física e existencial frente ao sol debaixo dessa estrela radiante. Talvez nada possamos fazer apenas a revolta nos é dada como solução onde a vida é um caminho de miséria em que todo homem passa sem estar imune as condições materiais e vivências dessa experiência.


Bruno Neto

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A SAGA ÉPICA DE MINHA ESPÉCIE: Anthropos


Homem! Criatura errante que tem rastejado
improficuamente pelos séculos em fúria.
Primata descarado que vive acorrentado
à fria ampulheta de luzes e trevas da História.

Macaco matreiro que caiu da árvore,
seu bipedismo conferiu-lhe evolucionária vantagem
para percorrer a geografia de todo o orbe terrestre.

Sobreviveu estoicamente à glaciação das eras
deixando pintada nas paredes das cavernas
a imagem ocre de suas mais vãs crenças e ilusões.

Lascou sorrateiramente a obsidiana e domesticou o fogo,
as constelações, os cereais, o falcão e o lobo...
Tendo vertigens, interrogo-me: quem te domesticará, ó Homem?

Ah Homem! Olhando fixamente para o espelho 
reconheço-me sinistramente em sua figura,
pois quantas vezes largados feridos e desolados
uivamos incompreensivelmente, juntos, a noite, à luz da lua
 as mais nuas e profundas angústias existenciais de nossa espécie?

Homem! No torpor de nossa raça, no turbilhão das gerações
o fruto amargo de seus genes condena-me, ó ser mundano...
Pois já fui habilis, já fui erectus, sou sapiens
e agora só me resta: SER HUMANO...


RODRIGO PETIT- 29|10|14
Poeta das Causas Perdidas





sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Cadência


Passamos por ciclos
A dor e o amor
Passamos por riscos
O valor e o horror


Das ideias caídas
Dos ideais fecundados



A estrela cadente
E a gente decadente
A luz ascendente
A treva descendente

Das ideias falidas
Dos seres sonâmbulos

Passamos e voltamos
E aqui estamos
Pra onde vamos?
Amamos e repudiamos


Das ideias perdidas
Dos encantos e enganos

A desculpa é sempre a mesma
Crescimento, emprego e renda
A culpa é sempre a mesma
Inflação, desemprego e juros

Das mazelas adquiridas
Dos direitos perdidos


OTÁVIO SCHOEPS

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Sentir e Viver


Sentir o capitalismo adoece
E a vacina nos chega assim
Assim como a dor no labor
Como o ódio e o rancor
                        
Numa vida fragmentada
Setas e linhas ociosas
Numa estrada pavimentada
Retas e curvas sinuosas

O cume tão distante
As cabeças pisoteadas
A coerência oscilante
Os pés nas encruzilhadas

Sentir o comunismo enobrece
E a cura nos chega assim
Assim como o amor do trabalhador
Como o óbvio e o calor


OTÁVIO SCHOEPS

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Ódio de Classe


Ah o ódio, amanhece e escurece o dia após as eleições e dentro de um modelo de democracia burguesa os derrotados clamam vingança e separatismo, exalam o odor da xenofobia e da incoerência que tanto abarcam seus pensares medíocres, "separem o sudeste e o sul do País, seremos uma potencia" de fato no máximo seria uma potencial região xenofóbica, mais uma para ingressar nos diversos Países tomados pelo ódio ao outro. Ah seria tão bom se o governo lhes proporcionassem "bolsas livro-de-historia", aliás muitos poderiam voltar aos estudos e quem sabe com isso curarem a doença do proto-fascismo que parece estar bem disseminado. Eu como tenho afinidades politicas com o Anarquismo, tendo consciência de que o Estado jamais irá atender as questões que defendo, seria ingenuidade achar que atenderia, não posso e não irei ficar calado frente a xenofobia que exala das "crianças mimadas" que defendem seus interesses em detrimento ao todo, não defendo partido politico algum, os modelos representativos não me representam, acredito na democracia, não esta baseada no modelo burgues financiada e administrada (por assim dizer) pelas forças econômicas vigentes em todo globo, acredito que a conscientização e o trabalho de base pode trazer resultados positivos que proporcionam a possibilidade de obter consciência que possa chegar à autonomia da população frente à escravidão assalariada e da alienação e do fetichismo que esse sistema nos incute, exemplos muitos podemos citar, as regiões autônomas anarquistas durante a guerra civil espanhola, os Zapatistas de Chiapas, comunidades autônomas em todo o mundo, e cada uma seguindo modelos próprios, modelos dos quais partem de suas necessidades e desejos, da emancipação e do fim da exploração do homem sob o homem, tudo isso é possível quando percebe-se o potencial em si mesmo e que o fator de mudança reside em todos nós, nós é que possuímos as forças necessárias para vivermos em um mundo melhor
.....ensine a pescar...Bah...por acaso todos podem chegar ao lago? todos possuem varas de pescar? o lago é propriedade de alguém ou é de todos? papai noel existe?! (tsc)



Lucas Leandro da Silva

A lei


Não roubarás
A terra é sua? Quem te deu?
Não roubarás
A água é sua? Quem te deu?

Nessa terra roubada
Nessa vida alienada
Nessa água contaminada
Nessa morte anunciada

Não julgarás
A lei é sua? Quem te deu?
Não julgarás
A força é sua? A fraqueza sou eu?

Nessa luz que irradia, queima a injustiça
Nessa harmonia
Nessa paz que socializa, derrama a justiça
Nessa sincronia


OTÁVIO SCHOEPS

domingo, 26 de outubro de 2014

Aqui venceu o Placebo.

Este é nosso país de terceiro mundo, ordem geopolítica que já está ultrapassada, afinal dizem sermos sul emergente. De tão emergentes que somos, estamos locados na emergência.
Estão na UTI a educação, a saúde e tantas áreas sociais. Estão sendo alvos dos ataques do neoliberalismo, afim de destruir um estado de bem estar social que em nosso país jamais existiu.
É assim que as coisas funcionam nessas nossas capitanias, os donatários pegam as piores ideias do velho mundo e implantam a revelia dos interesses da população. Ao mande e desmande dos coronéis, dos patrões.

Mas podemos dizer que desta vez venceu o placebo. Venceu o partido da presidenta, que carrega na sua base aliada problemas sérios como Sarney, e até o câncer chamado Paulo Maluf. Venceram aqueles que não são o pior que poderíamos ter, e que com certeza vão manter as massas um pouco mais tranquilas.
Porém os que venceram nem de longe serão o governo que nós merecemos, e sim apenas um placebo para dormirmos um pouco mais tranquilos.

Marco Aurélio.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Meritocracia herdada


José ao saber que sua esposa estava grávida, disse:
__ Quero dar tudo ao meu filho o que não tive.
Maria se alegrou , se animou, lutou e aguentou 9 meses
O filho nasceu, cresceu e não se deslumbrou.
O trabalho perdido
O conforto mal pago

José, homem honesto e doutrinado
Nada entendia
Maria, mulher honesta e doutrinada
Nada entendia

José ao saber que seu filho renegava, disse:
__ Que mal fiz eu? Para sentir esse fel.
Maria entristeceu, desanimou, perdeu, 9 meses perdidos
O filho amadurecido se rebelou
O trabalho achado
O conforto bem pago

José, homem honesto e esclarecido
Entendia
Maria, mulher honesta e esclarecida
Entedia

Que a vida é mais que a alma vendida
Que a vida é mais que um breve status
Que a vida é mais que essa terra
Que a vida é mais ou menos uma herança


OTÁVIO SCHOEPS

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Tempo Seco


O tempo seco as águas evaporam
No corpo o suor transborda
O tempo seco e as águas salgadas
Salgadas como o suor e as lágrimas

Das obras hidráulicas
O início
Das obras paradas
O meio
Das obras superfaturadas
O fim

O tempo seco a paciência evapora
No corpo o revolta transborda
O tempo seco e a falta de bom senso
Bom senso enterrado no seco imenso

Das obras para o bem comum
O início
Das obras e as dívidas
O meio
Das obras vendidas
O fim


OTÁVIO SCHOEPS

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

É você Deus Mercado? E a elite levanta e glorifica de pé.



Ventos de liberdade, competição e qualidade, eles dizem.
Ensinem a pescar, eles frisam.
A culpa é das estrelas, eles falam amém.
Pensemos com bases históricas e com uma analise concreta do presente sobre o neoliberalismo, que conclusões e tendências podemos salientar?
Como que o livre mercado pode proporcionar melhorias sociais sendo que não há uma redistribuição da riqueza, pelo contrario o que existe é a concentração e uma maior exclusão social em nome do lucro propriamente dito?
Crer que o Brasil, em todo o seu contexto histórico um dia se tornará os EUA, pois somos o País do futuro e que devemos tirar toda a carga tributaria no intuito de fortalecer as empresas, etc. etc. Bom, lembremos que a fuga das empresas em âmbito mundial para as regiões, principalmente para a Índia e a China, não se deve por um baixo nível de impostos em cima dos coitados empresários, mas, sobretudo pela carência de direitos trabalhistas e pela condição análoga de escravidão que essas pessoas, não tendo oportunidades, somadas com um grande e absurdo numero de pessoas na mesma situação que elas, proporcionam a mão-de-obra que essas empresas tanto desejam, não há uma formação de politicas de melhoria social proporcionadas por essas empresas, diminuir os impostos faria com que o detentor do capital embolsasse os lucros para ele ao invés da ideia de criação de postos de trabalho —acredita mesmo que os detentores do capital são generosos a ponto de gerar empregos, fomentar a economia e de quebra diminuir a desigualdade social? Besteira meu jovem padawan— existe uma falsa crença de que há diminuição da pobreza quando as pessoas saem da margem da miséria, tirar pessoas de estado paupérrimo não contribui para diminuir as desigualdades, desigualdade social é a diferença entre o quanto ganha o trabalhador com quem esta no topo da pirâmide social, ou seja, a base comparada com o topo, podemos ver as disparidades ao analisar as estatísticas que mostram um crescimento da riqueza acumulada pelo 1% durante o auge da crise de 2008,e entãotermos uma percepção desses reais problemas, enquanto a economia mundial minguava eles cresciam exponencialmente. Seria porque eles possuem a fé verdadeira no Deus-Mercado e por isso foram abençoados? (Padawan os livros te chamam).
Sobre a culpa é das estrelas... O problema é estrutural. É ESTRUTURAL. Há muitas criticas a serem feitas ao governo atual, na verdade a todo o tipo de governo, afinal o que assistimos é uma luta incessante no meio politico nacional entre partidos que querem ser os “gerentes” do capital, a mudança na esfera economia se dá na base de um ser mais voltado ao keynesianismo e o outro o do enxugamento do Estado nos parâmetros neoliberais.
Mudanças reais num sentido positivo da fala requer uma mudança não pautada exclusivamente na esfera politica, mas sim, da parte mais difícil a ser mudada, a consciência dos indivíduos, é preciso mudar as concepções enraizadas no seio social para que ocorra transformações, para que os indivíduos busquem mecanismos que atendam suas reais preocupações e com isso os beneficiem de um modo geral.
Exemplos muitos podem citar em relação aos malefícios do neoliberalismo, e exemplos muitos dos países que quebraram por causa desse sonho absurdo.

Meus caros, a “virtu”não faz parte dos ditames do Deus-Mercado, e pelo o que todos sabemos o seu templo se localiza atualmente nos Países centrais (leia-se nas entrelinhas EUA), por isso achar que milagres podem acontecer abaixo da linha do equador é a doce ilusão enraizada da elite, doce para ela, intragável para os demais.

Lucas Leandro da Silva

sábado, 4 de outubro de 2014

AUMBANDAN


Sua face humana esfacelada a pedradas
Sua face cristã contestada a pregadas
Sua face maquiada borrada
Sua face desmascarada

A capoeira engana o capataz
Pelos canaviais, campos e de toda a Bahia
A malandragem confunde a polícia
Pelas ruas trancadas, esquinas e encruzilhadas

A esquerda não se endireita
Aqui quem fala é preto velho e caboclo
A esquerda não se endireita
Aqui quem cala é bandeirante, senhor e capataz

A luta dançada te caça
Pelos canaviais, campos e favelas
A navalha te corta a cara
Pelas ruas, cruzes e encruzilhadas


OTÁVIO SCHOEPS

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Liberdade, Igualdade e Fraternidade

O que ou quem te limita?
Levam a cabo e sem limites
A quem diriges vossas palavras?
Lava a alma na fossa

Frase maldita, frase feita
Fala o fascista, fala o parasita
Frase bendita, frase desfeita
Fala o explorado, fala o revolucionário

Liberdade, igualdade e fraternidade
A liberdade usada para escravizar, deve ser combatida
A igualdade usada para oprimir, deve ser repelida
A fraternidade é total e não parcial

O que ou quem te limita?
O gênero fere, a igualdade fere
A quem dirige vossas palavras?
A moral sanguinária, a vida castrada

OTÁVIO SCHOEPS

sábado, 27 de setembro de 2014

A livre iniciativa


O presídio privado dá lucro
O presídio não é para dar lucro, é para dar prejuízo
A sociedade consumista e a disputa selvagem

O hospital privado dá lucro
O hospital não é para dar lucro, é para dar prejuízo
A sociedade doente e a exploração selvagem

A educação privada dá lucro
A educação não é para dar lucro, é para dar prejuízo
A sociedade alinhada, conformada, enfileirada e selvagem

A indústria bélica dá lucro
A indústria bélica não é para dar lucro, é para dar prejuízo
As guerras se multiplicam, a ordem selvagem


OTÁVIO SCHOEPS

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Professor Pedro / Aulas Particulares / Temporal


















O Professor Pedro estava cansado do aviltamento de sua categoria - a categoria "o" - e decidiu se arriscar por uns meses na educação privada. Fez o acerto de contas com o Estado e deu inicio a sua carreira no ensino privado. Embora não pudesse esconder a ansiedade pelo retorno; se tudo ocorresse bem voltaria já efetivado. Para completar o orçamento pegou algumas aulas particulares, onde tinha de ir até a casa de seus alunos lecionar. Foi num desses dias que esta breve história aconteceu:
Pedro voltara do colégio onde leciona, tomou um banho rápido, penteou os cabelos que já começavam a ralear em sua cabeça, vestiu-se e saiu.
No coletivo notou que as nuvens começavam a se adensar, parecia que bem naquele instante ia cair a chuva que SP tanto estava esperando. Que sorte a de Pedro não?
Assim que desceu do ônibus o santo que lhe empresta o nome começou a escancarar as comportas do céu, a umidade acumulada nas nuvens começara a precipitar. Pedro ajeitou as golas de sua camisa e começou a correr, antes que a chuva apertasse.
Foi na direção do condomínio onde morava seu aluno, por sorte só começou a chover com maior intensidade no instante em que já estava próximo a portaria onde teve de tocar o interfone e aguardar uns instantes.
- Pois não?
- Olá, é o Pedro, sou professor do...
- Ah, um momento, vamos informar de sua chegada e já abrimos.
O protocolo mandava que não abrisse o portão até informar o residente sobre a chegada do visitante. Mesmo que Pedro já fosse conhecido, protocolo era protocolo.
Enquanto aguardava Pedro percebeu que a chuva começou a ficar mais forte. Em poucos instantes a garoa fina se transformou em um terrível vendaval, não havia como escapar.
Pedro tenta se esconder atrás da guarita de segurança, mas era inútil, as gotas de água vinham por todos os lados e eram arremessadas sobre ele com enorme violência.
Pedro já estava bastante molhado quando o segurança disse que ele podia entrar. Àquela altura já não fazia diferença, mesmo assim o jovem docente pediu para se esconder na cabine até que a chuva passasse.
O protocolo dizia que não; mas a humanidade do segurança dizia que sim. Então Pedro arranja um abrigo.
Por dentro percebe os vidros, todos blindados, espelhados por fora e transparentes por dentro, ao bom e velho estilo "Grande Irmão".
No fim nosso jovem professor decide correr até o elevador na chuva mesmo. Junto com ele sobe um rapaz que trazia de volta os cachorros de uma madame que estavam no Pet Shop. Por ironia do destino os cães estavam mais secos do que ele.
Este foi mais um dia na vida do Professor Pedro...

Marco Aurélio.





quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Refugos do Passado


Quando o presente entedia
Velhas imagens vêm à mente
Quando o futuro angustia
Novas imagens vêm à mente

As velhas imagens feitas pela indústria cultural
Desenhos, séries, comerciais e brinquedos
As velhas imagens nos mostram o desejo de ter, longe de um ideal
Ruas, avenidas, becos e vielas sitiados

Quando o presente vibra
Novas imagens vêm à mente
Quando o futuro mira
Novas imagens vêm à mente

As novas imagens feitas pelo bem comum
Desenhos, séries e contos livres
As novas imagens nos mostram o desejo é comum
Ruas, avenidas becos e vielas livres


OTÁVIO SCHOEPS

sábado, 20 de setembro de 2014

Esquerda Caviar.

Sakamoto

























São traidores da classe
Talvez a mais nobre das traições
Colocam-se ao lado dos oprimidos
A mais sensata das contradições.

Da direita vem o coro de boçalidades
Dos que mantê-se fiéis as suas origens
Dos que fecham os olhos para a desigualdade
Trancados no mundo das banalidades.

Esquerda Caviar sim.
O que foi? O que há?
Esquerda Caviar!

Já dizia Marx aos meninos e aos doutos.
"O Problema está no sistema em si
Não necessariamente nos seus produtos".

Marco Aurélio.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O despertar


Acordar e não ver sentido algum
Abrir os olhos e se perguntar
As estátuas ainda estão vivas?
A noite chega, menos um dia

Sobre essa cidade mal feita
Sobre essa cidade fétida
Sobre essa cidade seca
Sobre essa cidade patética

Nos mastros bandeiras coloridas tremulam
Nos mastros bandeiras desgastadas pesam
Nas instituições se contornam, entre a miséria assalariada
Nos prédios tapam o sol, entre a miséria sombreada

Dormir e não ver sentido algum
Fechar os olhos e se perguntar
Os prédios ainda estão de pé?
O dia chega, mais um dia


OTÁVIO SCHOEPS

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Suicídio


O suicídio é a opção de não mais existir
Os sentidos se apagam
O mal súbito
Os órgãos param

O suicida se vê como vítima de acidente, de latrocínio e até do coma
Vê a terra em chamas
O suicida não tem lugar, tem pressa
Vê o céu em chamas

De uma vida renegada
Da morte regrada
Da luta abstrata
Da luta vencida

Na luta faz falta
Das alegorias e mitologias, o guerreiro morre na luta
Na luta faz falta
Das derrotas e vitórias, o guerreiro morre na luta


OTÁVIO SCHOEPS

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

TUCANISTÃO


No Tucanistão é o seguinte, como toda sociedade o Tucanistão é dividida em classes sociais,
Temos a fundamentalista classe média, os infiéis favelados, que são os párias da sociedade, pois Deus quis, e a elite política/religiosa.
Temos nessa elite o maquinista cego da locomotiva da nação brasílica, o Califa Alckmin, os Aiatolás Malafaia e Macedo que cuidam da moral e dos bons costumes tendo como base as leis religiosas, que são ricos, pois Deus quis.
Tucanistão um Estado/Capital/ Teocrático  é mantido graças a força policial descendentes dos grandes bandeirantes, que começaram a limpeza do território, para que os escolhidos por DEUS pudessem usufruir a terra e o sangue alheio.
Em troca fazem sacrifícios humanos diários nos seus suntuosos templos dedicado ao Deus Mercado.

OTÁVIO SCHOEPS

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Montanha Semântica


Multiplicaram-se os peixes e os pães
Os templos e as cruzes
Dos centros das cidades às periferias
Multiplicaram-se os dízimos e os bancos
Os acionistas e os endividados
Dos países centrais aos países periféricos

Eliminaram o amor
Instituíram o horror
Apagaram fervor
Acenderam o terror

Assassinam com brutal vingança
Com um leve teor de justiça
Acabam com a esperança
Com um pesado ar de arrogância

Multiplicam-se templos únicos
De corpos livres
Que rompem algemas
Multiplicam-se os túmulos coletivos
De corpos livres
Que ousaram romper as algemas


OTÁVIO SCHOEPS

Brisa



A brisa refresca
Corrompe o ar abafado
A brisa reanima
Corrompe a tempestade

Chega o leve vento
Leva orientando
Chega a corrente fria
Leva as mágoas e a mente esvazia

A brisa tempestuosa,
Passa pelas ruas nebulosas
A vida tortuosa,
Passa pelas esquinas sinuosas

Chega levando
Leva as sementes
Chega tomando
Leva os dormentes


OTÁVIO SCHOEPS

domingo, 14 de setembro de 2014

Mídia


Numa ilha de edição qualquer
A pauta é a tolice, programa de tolos e para tolos
Numa ilha distópica qualquer
O tópico é tolo, acompanhada por um sorriso bobo

Tanto faz se é policial, política ou de esportes
Poucos são os que resistem
Tanto faz o canal, o jornal, a falácia é a mesma
Muitos são os que assistem

Nessa ilha de edição o caos entra dominado
Pautada na hipocrisia da paz
Nessa ilha distópica a voz do povo é emotiva
O tópico é a alegria

A baboseira nacional
A cidade alerta, não desperta
A folha e seu Estado/Capital
A veja faz a festa cega


OTÁVIO SCHOEPS

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Cruz


Malafaia faz suas malas sob vaias
E eu aqui escutando o guitarrista do samba, Jorge Ben Jor
Edir Macedo vai pra cama mais cedo
E eu aqui escutando o guitarrista do baião, Raul Seixas

Das cruzes espalhadas
O pecado condenado
Dos crucifixos ostentados
O pecado condecorado

Entre velas e vielas
O mal consumado
Entre terreiros e becos
O mal acostumado

No show imposto
Ouço Tim Maia, sossego e um kilo do bão
No discurso tosco
Ouço Sociedade Alternativa, Raulzito


OTÁVIO SCHOEPS

Lutar, criar poder popular


O povo unido é racional
O crime e o castigo
O povo desunido é irracional
O prêmio e o lucro

O povo unido
As mãos semelhantes se aliam
O povo desunido
As mãos semelhantes se matam

O povo unido é difícil
A ideologia destrinchada
O povo desunido é fácil  
A ideologia vendida

O povo unido se enxerga
Tudo faz sentido
O povo desunido
Todos iludidos


OTÁVIO SCHOEPS

Troféu


Um jogo brutal
Um jogo violento
O dinheiro é o troféu
Ah, dinheiro não importa

A volúpia do vencedor
Desregrado e calculado
A humilhação ao perdedor
Manipulado e alienado

Das conquistas marítimas às construções de ferrovias
A gula do Estado-Nacional e do capital
Das conquistas bancárias ao paleoliberal
A acumulação é sua única via

A volúpia brutal
A regra violenta
O dinheiro é o troféu
Ah, o dinheiro não importa


OTÁVIO SCHOEPS