quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Trabalho nem sempre da trabalho


O trabalho é visto hoje em dia pela maioria das pessoas somente como um meio de sobrevivência. Muitas vezes se tornando algo chato, sem graça e visto apenas como obrigação.
As pessoas trabalham em troca do dinheiro, muitas vezes escolhem suas profissões pela remuneração que elas oferecem, chegando até a exercer aquilo que não gostam, somente para satisfazerem aos seus desejos, mais propriamente de que suas necessidades.
Essa forma de pensar e agir, se dá principalmente por conseqüência do capitalismo e da mídia, que nos influência de que ter é melhor que ser. Ou seja, quanto mais bens eu possuir, mais serei realizado e feliz dentro da sociedade e só posso consegui-los através do trabalho.
Mas o trabalho pode ser bem mais que apenas um meio de se sustentar e viver. O trabalho pode ser encarado de forma bem mais interessante, benéfica, e útil. Você pode ajudar alguém através do trabalho, pode se divertir, se desenvolver e ter a certeza de que pode ir além daquilo de quem apenas o faz por dinheiro.
O conceito de trabalho não deve ser generalizado como um peso que levaremos para o resto da vida e sim como algo muito produtivo que pode abrir horizontes, dar espaço para novas déias, novas descobertas, crescimento pessoal. Enfim, muito mais benéficos, que no fundo sabemos que existe, mas não conseguimos enxergar por conta da ganância que temos em ser melhor que o outro sempre!

Larissa Alves em sua revolta contra o sistema!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Jornadas de Junho - A "Patuleia" vai as ruas!!!!



Muito provavelmente o que irei escrever agora não será novidade para ninguém. Não pretendo que meu discurso configure uma grande novidade as pessoas, por que na realidade não passa de uma leitura do que está se tornando cada vez mais óbvio.

Porém, refletindo, baseado no acumulo de experiências deste ultimo ano, e sob a luz das leituras que me forcei a fazer nestes tempos, conclui algumas coisas que gostaria de socializar.
É cada vez mais evidente que o desenvolvimento gerado pelo Capitalismo brasileiro, em muito baseado no Neoliberalismo econômico e entreguista, gerou cidades onde convivem duas cidades bastante diferentes. De um lado há miséria e falta de acesso a direitos básicos garantidos pela constituição federal. De outro, há acúmulo de riquezas, conforto e acesso a todas as regalias que o capitalismo pode oferecer, entretanto também há medo e insegurança.
O que acabo de dizer não é novidade, tem sido tema de debates no meio intelectual desde, pelo menos, meados da década de 90. Porém, esse processo estourou e veio a tona durante a Copa das Confederações, com as Jornadas de Junho. Hoje, vemos as principais capitais brasileiras serem palco de verdadeiras batalhas campais, onde a "canalha" disputa vorazmente o território que lhe foi usurpado e o direito a cidade que lhe é negado constantemente, todos os dias.
O que muita gente afirmava ser o fim da História, o chamado "Marasmo Neoliberal" foi abalado por revoltas em todo país. Inúmeros agentes históricos, que até então não haviam aparecido por estas bandas entraram em cena, destaque para os Black Blocs, e assumiram papel central nas lutas.
O velho discurso preguiçoso e derrotista de que partido político é tudo igual e política não serve para nada, tem perdido espaço, e as diferenças ideológicas, até mesmo na velha política do mais do mesmo, ficam mais evidentes.
Nos ônibus vejo gente falando de política, mesmo em pleno mês de Outubro, bem após o auge das Jornadas de Junho. Os vários Shoppings inaugurados na cidade atraem pessoas para as compras, mas também são alvos de críticas, e não poucas. Sorocaba não precisa de tanto Shopping, Sorocaba precisa de mais cultura.
Até mesmo os ATPC´S do professorado, da mais plena monotonia tem passado para palco de acalorados debates sobre política e sobre a conjuntura atual do país. Realmente todo esse clima tem espantado, até mesmo um velho entusiasta das idéias de Lenin e admirador da Revolução de Outubro de 1917.
Claro, espero não estar sendo utópico, embora o clima seja de otimismo, devemos ficar muito atentos e tomar os devidos cuidados. No entanto não posso deixar de festejar, por menor que seja o despertar de uma consciência maior em todos nós.
Aonde vai dar todo esse processo não sabemos, e sequer sabemos se irá para algum lugar. No entanto, o que sabemos é que somos nós os condutores da linha da História, e embora não a façamos como queremos, já dizia o velho e barbado Marx, somos nós quem a conduzimos.
Diversas forças estão em campo, e não há motivos para ninguém correr da praça. Se os Black Blocs fazem o certo ou não só saberemos ao final do processo, porém é fato que quebrar vidraças de bancos e destruir o patrimônio acumulado pelas grandes corporações soa como uma reparação Histórica - não que acredite nisso.
Afinal foram anos de ofensiva Neoliberal, de retiradas de direitos e ultrajes por parte dos nossos governantes, neste momento em que a "patuleia" ocupa as ruas para retomar o que é seu por direito, é natural que haja com violência, sobretudo contra os símbolos da opressão. Exigir que os Black Blocs tratem as vidraças dos bancos com carinho é quase tão absurdo quanto pedir que os escravos libertos arrumassem seus grilhões com zelo e fino trato após serem libertos.
Somos os agentes da História, e talvez estejamos em pleno prelúdio de um processo revolucionário, momento em que ficar em cima do muro de nada adianta. Essa é a chance que temos de retomar nosso papel de transformadores da sociedade, arrancar a força a garantia de nosso direito a cidade e transformá-la em um lugar mais justo e igualitário para se viver.

Marco Aurélio

sábado, 12 de outubro de 2013

In Case - por: Lauren Dias

In Case


Estava sentada na frente do piano em que costumávamos tocar, um dia quem sabe eventualmente ele volte, eu guardo no caso de ele voltar, sentir falta do meu amor. Fotos em meu bolso só fazem a dor voltar, mas eu as guardo no caso…no caso dele voltar, caso sinta falta do meu amor, apenas no caso dele voltar para a casa, para mim. Meu estado deplorável só reflete o que estou sentindo, só reflete o que passo.
- Não mudou nada- disse ele me fazendo saltar.
- O que faz aqui?- perguntei com a voz tremula
- Só vim entregar a chave- ele colocou a cópia em cima do piano- Bom já vou indo- se virou e caminhou até a porta.
- NÃO, por favor não vá embora- implorei em um sussurro.- Eu Amo você.
- Adeus- e com isso ele foi embora mais uma vez, mais uma vez sozinha, mais uma vez fui deixada para sangrar até morrer, sozinha, a mesma dor de ano atrás volta desta vez pior, com o coração doendo mais que qualquer pessoa possa aguentar, me levanto e saio.
Eu o perdi, perdi seu amor, perdi uma das únicas coisas que conseguiam me fazer sorrir, não sei mais quem sou, eu perdi a batalha contra mim mesma…
Eu me perdi…

sábado, 3 de agosto de 2013

All Star

A primeira namorada a gente nunca esquece
É aquela linda e franzina guria
Que se conhece na quermesse
A primeira namorada a gente nunca esquece
Coisa inocente
All Star
Beijos
Abraços
A gente nunca esquece...


Marco Aurélio

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Não entenderão e não passarão


Não entenderão e não passarão
As permanências se romperão
A bandeira tingida de sangue
O sangue seca e enegrece

A classe não tem nação
A luta é na rua
A paz é um sonho
Um sonho ensanguentado

A sede e a caminhada
A ordem esfacelada
Os brados dos bravos
Os solavancos nos percalços 

Não entenderão e não passarão 
O mundo há de ser novo
A vida há de ser bela
A quem incomoda o acesso à ela?

OTÁVIO SCHOEPS

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Enfim, a Luta
















E entra,se senta pedi um café.
Senti o ar gelado lhe acolhendo,
Faz frio.
Se apega a olhar uma antiga foto ,um sorriso.
Uma lágrima.

Olha pela janela,a vida caminhando juntamente com os ponteiro de seu relógio.
Senti uma vontade que não sentia a muitas primaveras.
Se cala.
Repensa,novamente senti o café,forte e doce lhe mostrar muitas lembranças.
Uma lembrança.

Olha novamente para janela,percebi a fumaça...
Se levanta,senti o ultimo e mais gostoso gole de café descendo.
Indecisão.
Abre a porta,acerta seu capuz,sua bandana e se coloca a olhar...
Medo.

Passa a mão em seu rosto e senti os pingos da chuva,isso o fez correr?
Passa mão nos olhos e senti o fogo de um ódio queimar.
Gás
Respira fundo e se lembra que não está sozinho,aqueles pingos não apenas o molham,
Mais lavam sua alma no campo de batalha,sozinho?Nunca.
Orgulho.

Thiago Bassi


domingo, 14 de julho de 2013

Ordem Inversa

A pirâmide desaba, as ordens desmandadas
O inverso é engraçado, a elite é vagabunda, apenas explora e acumula
O policial é vagabundo, são cães sádicos do Estado
O repórter da mídia corrompida é vagabundo, representam a alienação política
A vidinha feita de escolha, a escolha foi feita, você é um vagabundo sustentado num sistema sujo
E a pirâmide desaba, a luta começa de forma torta
A pirâmide agora em chamas, ao horizonte não se vê o vértice
E o sentido da vida de uma vida sentida, a liberdade conquistada, nunca concedida
O caos, o fogo, a ideia e a matéria
Verão ao fim de uma noite longa e iluminada pelas bombas

Uma nova luz

OTÁVIO SCHOEPS

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Um Relato da Militância - Por Alan Diego Peniche

Olá,

Venho aqui fazer meu relato do dia de hoje (02/07/2013).
Estive presente no ato e vi cenas que me causaram satisfação e surpresa.

Vi pessoas com ideais, que não quiseram baixar a cabeça diante de um estado corrupto, opressor e fascista. Este estado, representados com seus instrumentos de coação, porcos fardados e pau mandado, não por opção, mas por obrigação e com mentes moldadas a servir à pequena massa, não à população.
Primeira tropa, segunda tropa (Choque), terceira tropa (Cavalaria) e quarta tropa (Comboio de viaturas). Prontas e a postos para sufocar quem apenas quer ver seus direitos cumpridos, seus impostos bem aplicados e sua voz sempre ouvida.

Ouvi comentários de que após a ponte da Raposo, no Jardim Tatiana, haviam manifestantes gritando por atenção. Atenção essa não dada num dia comum...
Disseram que a policia estava impedindo que a população de se manifestasse por lá. Convidei então meu amigo Bassi, para que me acompanhasse até o outro lado na ponte, com a intenção de fazer um link entre os dois atos, e fomos.
Durante o caminho já era visível a massa de militares impedindo o cidadão de se juntar ao movimento da Armando Panunzio, de ir e vir como bem entender.

Cheguei na boca do bairro e não vi nenhum movimento, a não ser de alguns retornando da tentativa fracassada de passar pelos PM's.
Parei alguns deles e questionei o motivo do retorno. Me disseram: "Não estão nos deixando passar.” Eu e meu amigo nos revoltamos, "Como eles podem fazer isso?". Logo perguntei para o mesmo se ia ficar assim, como está. Me respondeu com um sorriso no rosto, "Não, vamos fechar isso tudo".
Senti que não estava perdido, e não estava!
O primeiro se dirigiu a estrada Sorocaba-Salto de Pirapora e fez sinal para que os carros reduzirem a velocidade, e assim pararam uma das vias. Corremos junto a ele.

Em meio a confusão, gritei para fazermos uma corrente. Assim foi feito, juntou-se a nós mais alguns, aproximadamente 9.
Sabe o mais legal? É que a corrente não era o suficiente para fechar a estrada por completo, então vi um grupo de 4 ou 5 crianças, de 12 anos +-, correndo em nossa direção e dando o braço, para trancarmos as vias. Preocupei-me em por a vida deles em risco, mas fizeram questão, então deixei. Senti orgulho e esperança em saber que pode vir uma boa leva de cidadãos por aí. Ao contrário de uns marmanjos, que preferiram ficar em cima de um morro, falando que éramos loucos e nos pedindo para liberar a pista, aqueles pequenos vieram.
Pensando bem, não os culpo, é compreensível. Quem conhece o bairro, sabe como foram acostumados a serem esquecidos.
Me lembra o povo de um certo país, aquele que vai ser sede da Copa da Fifa. Pelo menos eles estão começando a ter consciência.

Dois carros partiram para cima de nós, que foram chutados e vaiados pelos presentes. Após alguns minutos, um caminhão avançou em nossa direção. Fizemos gestos para que parasse e entendesse nossa manifestação. Ele gritou: "Tenho pressa, preciso fazer essa entrega". Automaticamente respondi para que ligasse para sua central e avisasse que estava em meio a uma manifestação. Insistimos, e assim fez.
Eu e meu amigo vimos nesse caminhão uma ótima maneira de ser mais efetivo no movimento, pedimos para que nos ajudasse, deixando veiculo na transversal da estrada. Ele deu uma leve ré, era próximo ao que queríamos, mas o necessário para impedir que outros automóveis tentassem furar o bloqueio.

Desde o inicio do bloqueio passaram-se uns 20, 25 minutos, e logo veio duas viaturas e seus cacetes apontados em nossa direção. Infelizmente não podíamos resistir, além de serem poucos os efetivos manifestantes, 15 +-, tinham menores no meio. Uma resistência naquela situação seria irracional.
Conseguiram nos dispersar, mas mais tarde fiquei sabendo que causamos alguns quilômetros de congestionamento. O que é ótimo, afinal, com toda aquela força militar contra poucos manifestantes era injusto, e qualquer dor de cabeça que pudesse-mos causar era bem vindo.
Meu amigo me fez pensar, por que no ato de quinta-feira (20/06) não colocaram toda essa força na rua? Não são burros, né?! Aquela tropa toda não daria conta... É mais fácil inibir assim.
Tudo bem, é só o começo. Vai aumentar!

Na volta, nos deparamos com a mesma PM nos impedindo de voltar ao ato principal, dizendo que se passássemos por eles, seriamos recebidos a borrachada pela tropa de choque. Meu amigo gravou, estará na internet para quem quiser ouvir...

Junto ao manifesto da avenida Armando Panunzzio, descemos em direção ao Fórum Velho e vimos lixo jogado pelo chão, com a intenção de nos taxar de vândalos. Coletamos e o colocamos na calçada. Logo vieram os moradores dizer que foram os Amarelinhos. Sim, aqueles safados que ganham para multar, e não para fiscalizar o transito.
Detalhe na equipe de reportagem, que vira e mexe tiravam fotos de nós. Torço com junto à minha inocência de que não distorção a realidade, pois tinha uma que só tirava foto dos lixos que largaram pela avenida, provavelmente para rotular negativamente o movimento. Como se já não nos humilhasse em demasia postando nossa luta em sua mídia manipuladora, que prefere a estória em vez de história.

Para finalizar minha "fala", gostaria de dizer que a palavra do dia é ORGULHO. estou orgulhoso de tudo que aconteceu hoje, das crianças, do caminhoneiro que foi compreensível e colaborador, da população que sinalizou a aprovação de nosso manifesto e de todos os companheiros que estavam presentes na luta.
A juventude é a revolução!

por Alan Diego Peniche.
vulgo Peniche.

domingo, 2 de junho de 2013

Um espantalho a ser abatido / por: Luiz Fernando Toledo
















A distinção entre liberdade e autoridade no feminismo
Feminismo é um termo controverso, não compreendido e extremamente mal divulgado. Seu significado é tão simples que, em sua concepção original, soa quase absurdo que existam vozes contrárias ao ideário.

A primeira das confusões está no campo dos sentidos: alguns pressupõem que a palavra seja uma linha de oposição extrema ao machismo, ou seja, a elevação da mulher como sexo dominante. Falácia. Feminismo é exatamente o princípio de que, afora as óbvias diferenças fisiológicas entre um homem e uma mulher, todo o resto é condição social.

É empírico. Basta que verifiquemos a quantidade de mulheres em ascensão aos cargos de liderança em empresas e no governo de diferentes países nas últimas décadas. Embora o Brasil tenha uma presidente mulher, ministras mulheres, presidente da Petrobrás mulher, fica evidente que o papel feminino na política ainda é escasso. Há cidades brasileiras sem nenhuma vereadora ou liderança  política feminina.

Mesmo com a reforma na lei eleitoral 9100, realizada em 2010 pelo TSE, que assegura o mínimo de 30% das vagas dos partidos a um sexo e o máximo de 70% ao outro, a alegação das legendas é que a participação ainda é baixa. O problema não se consome na mudança de estrutura das instituições. Passa, principalmente, por uma questão cultural. Assim como em diversas áreas do conhecimento, ainda pouco ocupadas por mulheres, especialmente no que diz respeito às ciências exatas. Daí a importância do feminismo como processo de emancipação da mulher.

Diante de alguns estudos e estatísticas, não há dúvidas sobre a importância de um movimento desse porte. Mas, como nenhum pensamento é cristalizado e não há caminhos racionais de luz como propuseram os revolucionários iluministas, a sociedade faz questão de distorcer argumentações e tornar um processo que passou de luta pela igualdade à disputa de poder e autoritarismo.
A existência de entidades que promovem o feminismo com bandeiras específicas tornou-se comum nos últimos anos. O Femen, surgido na Ucrânia e trazido ao Brasil pela representante Sara Winter (expulsa recentemente do grupo por não cumprir metas por ele estabelecidas), recebeu notoriedade da imprensa pelos protestos com mulheres nuas e posições extremistas. Grande quantidade de reportagens passou a dar destaque a um grupo de mulheres que decide o que outras mulheres devem fazer ou não. A beleza feminina virou ferramenta de dominação da sociedade patriarcal. Posições sexuais acabaram em motivos de protesto. Houve mesmo quem argumentasse que a submissão sexual da mulher na cama é reflexo de seu papel na sociedade. Foi assim que o feminismo associou-se a práticas que nada têm a ver com o sentido que prega.

O jornalismo tem o poder de agregar conceitos à mente do leitor. Basta que um termo venha ao lado de outro em um título, e não haverá senso crítico que desconstrua ideias deturpadas sobre este mesmo termo. A legitimidade da busca por consenso entre gêneros cai por terra e substitui-se a liberdade por uma guerra de homens e mulheres. O machismo às avessas.

Gosto de um argumento usado pelo vlogueiro Pirulla, ao tratar de questões sociais, que ele chama de “mola”. Os movimentos das minorias começam oprimidos, reivindicam direitos para se tornarem mais livres, mas em algum momento uma parcela deste movimento vai querer mais, acabando com o próprio sentido de sua existência. Exatamente como o movimento da mola, que se contrai, se expande além de seu comprimento original e depois retorna ao estado de equilíbrio. As “expansões” produzem resultados de distorção sobre o argumento original.

Mas é importante que não exista um enfraquecimento do feminismo por conta destes muitos espantalhos que a ele se apontam. Não faltam discursos biológicos e pseudocientíficos que tentam comprovar que se a sociedade está assim dividida, é porque existem forças darwinistas ou algo semelhante. Há quem defenda que as coisas funcionam como funcionam porque existem instintos. Pois então retornemos a algum tipo de estado natural em que, ao ver uma pessoa do sexo oposto na rua, pratiquemos o estupro. Isso não é muito diferente do rapaz que tece grosserias às moças na rua e diz que elas deveriam entendê-los como um elogio. É fundamental que pensemos o ser humano não apenas como ser físico, mas também social e psicológico.

Emancipação não significa obrigação. Se uma mulher, consciente de seu papel social e suas possibilidades, decide que quer ser dependente de um homem, não há argumento que lhe demova tal direito. Ela pode. Se esta mesma mulher quer que o rapaz pague contas, ela também pode. Se ela quer usar a beleza como sua fortaleza, está permitido. O grande truque desta palavrinha, a tal liberdade, é que ela permite tudo em que haja consenso entre as partes envolvidas. Homem ou mulher.

Esse é o espantalho que criamos para ser abatido. Um tipo de feminismo que não existe, não prega igualdade, mas apenas perpetua uma visão de mundo em que a disputa de poder ocorre até mesmo entre os gêneros. Sejamos quem nós quisermos ser.


Luiz Fernando Toledo

domingo, 26 de maio de 2013

Sou um rapaz Latino Americano


Explorada desde a chegada dos primeiros europeus, despojada de suas riquezas, coberta pelo sangue e pelos cadáveres de seus filhos e filhas - mortos e dizimados pela ganância de uns poucos "homens de bem". É esta Terra que recebe o nome de América Latina.
Desde o Rio Bravo no México até a Terra do Fogo no extremo sul do continente, o solo Americano abriga um povo que tem em comum o fato de terem perdido algo. Perderam as riquezas da terra, perderam sua cultura, sua identidade, sua liberdade, sua autonomia, perderam até mesmo o direito de serem chamados de Americanos. Americanos são os WASP, ao sul do Rio Bravo são todos Cucarachas.
São os Cucarachas que sofrem com a falta de emprego, o alto preço de alimentos, transportes coletivo precarizado, secas, enchentes, falta de acesso a terras, e tantas outras dificuldades. Ao sul do Rio Bravo o progresso não chegou, para a grande maioria do povo a vida é semelhante ao que era nos primeiros decênios da colonização.
Por isso, a grande maioria dos jovens desse continente se identifica com o trecho da canção de Belchior. Sim, também sou "apenas um rapaz latino americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior".



Marco Aurélio

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Hey, como vai?
















O Clima era Ameno, típico de uma tarde fria em meados de maio - época em que as temperaturas começam a cair.
O rapaz chegava ao seu trabalho, com seu jeito desengonçado de andar e carregar a mochila. A barba negra bastante crescida e a camisa de flanela mal acomodada sobre o corpo lhe dão o aspecto despojado que lhe é característico.
Então bem em frente ao portão de entrada, mira uma moça que estava de costas. Ele pensa que talvez pudesse ser alguma jovem mãe queixando-se sobre notas, o que certamente lhe iria aborrecer por uns instantes.
Ele pensou em passar sem ser notado. No entanto, a moça se vira. E para grande surpresa de nosso jovem, tratava-se de sua ex-namorada, com quem mantinha contato e boa amizade. Quanto tempo que não a via, de imediato um aperto invade-lhe o peito e uma sensação de embrulho toma conta do estômago.
Como estava bonita. Afinal, por que diabos foram romper? Ele nem se lembrava mais. Amores e desamores passaram na vida de ambos, porém parecia que não havia mudado muita coisa. Ele se perguntava enquanto mirava seus olhos castanhos, se acaso ela sentiria o mesmo. Ele achava que sim, embora soubesse que jamais teria certeza, ela sempre dissimulara bem.
Um abraço apertado para completar. Ele se desespera quando o abraço começa, e se desespera mais ainda quando acaba. Não queria que começasse, e depois queria que durasse mais. Umas palavras trocadas, uns sorrisos desajeitados, e o mesmo clima de inquietude no ar. Mas tiveram que partir. Ele para a sala de aula, ela para um velório.
Ao final de tudo... Hasta Luego

Marco Aurélio

Meus pêsames



Meus pêsames
Todo o meu o meu pesar por uma alma que parte
Dessa terra inglória e perdida no universo
O que fica são as palavras amigas e versos tortos, tortuosos, na passagem por esse plano astral, onde o mal cria raízes
Arraigados e apegados somos a matéria densa que ocupa a sobrevivência
Enquanto a nossa essência se esvai rumo ao ralo do submundo das paixões vencidas
Com o mesmo coração bate o ódio, bate o amor, o peito estufado o ar entra, as Veias saltam, saltam sem rumo, a vivência incompreendida, mal vivida, perdida, o fim se aproxima a passos largos e lentos

OTÁVIO SCHOEPS

terça-feira, 21 de maio de 2013

Soneto humano


Fico sentado observando,
Cada ser humano
Cada um de um com suas qualidades
Mas ao mesmo tempo todos tão iguais

Sentem dor, choram se emocionam
Alguns mais do que outros
Mas todos nos somos
Iguais todos nos sangramos

Muitos tentam se destacar no meio de muitos
Muitos fingem se esquecer de onde vieram
Outros simplesmente dão as costas

Os mais humildes preferem levar consigo
Cada lição cada aprendizado cada erro e cada acerto
Pra que num futuro possa ser um alguém melhor

Vinícius Santiago

domingo, 19 de maio de 2013

Dias comerciais




Infelizmente vivemos em um sistema onde se é criado dias para “dar importância” à pessoas que amamos, ou que acreditamos, ou dias como por exemplo a “Páscoa”, onde geralmente não nos perguntamos por que um dia “Santo” é simbolizado por chocolate. Bom através deste texto venho lhe dar um “susto” rs, estes dias foram criados apenas com intuito de gerar consumo, logo dinheiro.
Penso que se realmente alguém ama sua mãe (exemplo) não é necessário que seja o “dia dela” para que você demonstre isso, não temos que ter medo ou esperar uma data comemorativa para demonstrar o quanto esta pessoa é importante em nossas vidas.
Estes dias então se tornariam inúteis e você não iria ter que gerar lucro comprando presentinhos ou lembrancinhas que sejam.
O sistema não está nem um pouco interessado no que você sente ou deixa de sentir, ele apenas quer o seu dinheiro, ele apenas quer lucrar, quer que pague impostos, quer que enriqueça a classe dominante, e é exatamente isso que você faz amigo quando tapa os olhos querendo não “enxergar” esta realidade que se torna cada vez mais constante pois, daqui uns dias inventarão mais e mais dias para você apenas ter uma “desculpa” para consumir.
Presentes jamais irão fazer com que alguém pense que você o ama, portanto tome atitudes que demonstre isso ao invés de sair por aí “ajudando” este sistema capitalista para depois reclamar das 4 horas que passou esperando para ser atendido em um hospital.

Karina Faria.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Céu e Terra


Eu me conheço e aceito, cruel é o passado a eternidade são promessas e esperanças
Ando em frente seguindo o fluxo da vida
Viver pode ser um blefe
Ora correndo, ora se escondendo
Num quarto escuro
Escuro como os pensamentos
A neblina, a névoa e a garoa
E o sol raia e queima a pele
Machucam os olhos

Os olhos se fecham
A mente se expande
Não era tão mal assim
A cevada e o doce da vida
Ludibria e esclarece esse novo dia
Meu pensamento voa, mas voa sem regras e nem estatísticas
Voa de encontro as nuvens
Essas nuvens brancas, cinzas e negras de tempestades
Que lavam essa terra suja e agourenta
Essa terra que sujamos e xingamos
Essa terra que nos suporta
Essa terra banhada a suor, sangue e lágrimas

OTÁVIO SCHOEPS




segunda-feira, 13 de maio de 2013

A ordem dos fatores altera o resultado


Veiculada na mídia e nas redes sociais um fato deprimente no qual uma mulher ensina seu filho a agredir um cachorro. Imagino a seguinte situação: Se essa mulher e seu filho fossem assassinados vítimas de latrocínio uma semana antes de terem sido filmados por seu vizinho? Seriam às vítimas da vez e, e se fossem assassinados por um garoto menor de idade?
Além de vítimas de um latrocínio seriam propaganda na campanha pela diminuição da maioridade penal e, por fim, nunca saberíamos dos crimes que a mulher praticava. Não sabemos o que se passa na cabeça das pessoas, a vida privada resguardada, respeitada, a individualidade invadida, desmentem os sorrisos dado na vida pública; as condenações imediatas por vias midiáticas são um perigo.

OTÁVIO SCHOEPS

sábado, 11 de maio de 2013

“Cura gay”



Sinceramente, quando vi essa notícia: Marco Feliciano encaminha votação de projeto “cura gay” fiquei completamente pasma, tudo que me vinha em mente era: Onde isso vai parar? ”Que País é esse??” Quando esse preconceito vai acabar?
São perguntas que estão até agora em meus pensamentos, pois, nenhum de nós temos o direito de discriminar o outro, e ainda mais o próprio PRESIDENTE DOS DIREITOS HUMANOS! Acorda Brasil, como presidente dos direitos humanos mais do que sua obrigação é aceitar e defender a todos, independentemente de sua cor, raça, religião e como no caso sua opção sexual!! Não tem essa de “cura” NÃO É DOENÇA!! Se a pessoa é feliz assim ninguém tem que se incomodar com isso! O corpo,a opção sexual, a vida é da pessoa! A única doença existente aqui neste meio é o seu preconceito Marco Feliciano.
É hora de “acordarmos”, irmos para as ruas, protestar e mostrar que a voz maior somos nós o povo, e colocarmos uma posição definitiva diante de nosso Governo antes que mais pessoas como o Marco Feliciano apareçam para afundar nosso País. Karina Faria

sábado, 4 de maio de 2013

Aos amigos


Aos amigos agradeço a companhia
A cerveja, o bilhar, as piadas contadas
Os vícios mantidos em plena harmonia
Enfim, um pouco de alegria

Aos amigos agradeço
Ofereço a simpatia
A paz de um fim de dia
Enfim, algo que compensa

Uma união sem fins lucrativos
Uma reunião informal
O caráter sempre testado
Enfim, o tempo e o espaço esquecidos

Um pequeno grupo reunido
Alguns interesses em comum
Por um breve tempo
Enfim, aos amigos agradeço a companhia

OTÁVIO SCHOEPS

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Um pouco de Paulo Leminski





SONO!!!


A vida cansa, mas nada como estar cansado e dormir
Talvez o sono dos justos, sonhos cansados, desejos saturados
O bom mesmo é dormir
E dormir mais um pouco
Acordar com fome ao meio dia, almoçar e aproveitar pra tirar o cochilo da tarde
E dormir mais
Ao dormir, esquecer reanimar, os pesadelos sem fim
Enfim, um fim abstrato de uma vida com sentido duvidoso
O auge alcançado
As linhas do destino confusas
Sobreposto o alvoroço
O dormir absoluto, a luta adormecida
O pulmão falha
A fala falha
A loucura revive
O mau fala
Fala e eu o escuto
Porém não o entendo
Mas por ora aceito
Em meio aos gritos dos aflitos
Das angústias
Desse mar sem fim, sem beira, beirada rasa
Profundo são os assuntos
Dessas almas desamaldas
Os ouvidos vermelhos, o saco cheio
O peito cheio de ressentimento de um dia agourento
Ah vão pra puta que pariu, o sono chegou, nem o fim e nem lógica mais importam

OTÁVIO SCHOEPS E ISABELLA GOMES

sábado, 27 de abril de 2013



QUEM SOU EU?

Eu sou brasileiro, 
Sou indígena! 
A mata e as florestas:
Oxóssi e o deus Tupã!

Sou africano, 
O sol e a selva!
Sou guerreiro:
Xangô, Ogum e Iansã!

Sou europeu, 
O inverno e a ganância! 
Ciência, tecnologia e fé cristã!

Sou um pouco de tudo, 
E um muito do nada...
Produto da história:
Misturado a retóricas vãs...

Rodrigo Petit 24/04/13

Este poema é uma homenagem minha a  Darcy Ribeiro, Milton Santos, Eduardo Galeano e a todos os teóricos que fizerem nós brasileiros termos uma visão mais crítica e menos eurocêntrica de nossa história e de nossa identidade cultural. Ass-Petit

A ventania


Os olhos vêem o que tem que ser visto
Nem tudo agrada, nem tudo é belo
Mas mesmo assim os olhos vêem
Venha a paz e o aprendizado
Não estamos alheios, não sabemos os pensamentos alheios
 Árduo aprendizado e continua no seu ritmo
Já ouvi dizer, que a vida é bela
Belo é continuar, a caminhada, o vento na cara
A esperança renovada
O adeus
As boas vindas
Se nem sempre é um bom dia
O que temos, senão um grande caminho a percorrer, e mesmo assim agradecer
As coisas acontecem, os delírios, os sonhos construídos e destruídos num segundo

OTÁVIO SCHOEPS

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Rafael Castro - Você Sabe Como é

Divulgando um trabalho independente:

Bem cotidiano esse som e dura realidade:


Marco Aurélio

Loca Adora!

"Bom é saber
que toda loca adora
toda loca adora
locadora, discoteca
barba por fazer
vitrola e poesia.
Isso, toda loca adora
Se não fosse assim
Como seria?"

Marco Aurélio

terça-feira, 16 de abril de 2013

Ressaca


O que sobra depois da ressaca?
Somos o que pensamos,
Saímos um pouco de si pra se ver melhor,
Nessa vida abstrata
Pra não esquecer o que somos ou o que sobramos do que éramos
de todas as perdas e desenganos, mais uma ressaca
Ressaca brava,
Refeito da ressaca, a cabeça já não gira e nem nos engana
Eis que temos novos enganos pela frente, algo do passado no presente
Meu presente é uma ressaca no pretérito,
gira a terra, gira a vida e gira sobre tudo a minha cabeça


OTÁVIO SCHOEPS

sábado, 13 de abril de 2013

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Trancafiados



Nos amaldiçoaram pelo tempo, lado a lado da angustia, buscando dominar o síncrono, as mentes fracas em ruínas não encontram a fuga, nem sempre o relato dito é a exatidão vista, já que destas mentes podemos facilmente influenciar. Mas não há nada que possamos esperar quando comparamos o que fora vivido há tantos anos, não há espanto algum na degradação que nos deparamos nos dias atuais. Não há quem se assuste ao ver pessoas dependentes trancadas dentro da própria casa. Não há mais sentido em cuspir palavras pensadas no público que o sustenta. E não há mais esperança de pessoas ao menos tentando ir à direção contrária.

Isabella Gomes e Juan Assaf


SOL


O Sol derreteu em minhas mãos e nossos dias foram contados.
Noite passada eu não dormi. Não sei se deveria lhe dizer, mas a sua falta me consumiu a noite toda. Me mantive na esperança de que viesse e você não apareceu. Perdoe-me por cobrar ou querer demais, mas eu precisava da sua leveza invadindo o meu interior. Eu juro que preciso acompanhar as sombras que o encaixe dos nossos corpos projeta no céu. Mas nesta noite só me restou afundar nos diversos codinomes que crio para você. Me restou afogar em lembranças, no sarro dos dentes, no calor da pele e no cheiro de mar que envolvia as manhãs. A maior dor foi a da tua partida. Meu bem, eu tropeço nos próprios pés e piso em cacos o tempo todo. Eu estou caindo em abismos o tempo todo também. O Sol que parecia nascer do lado contrário simplesmente derreteu. O inverno que se faz infinito tomou conta dos meus duros olhos e fruto disso é a aceitação da solitária morte que me custa a carne. Eu não tenho tanto tempo e poderia pular de um edifício, deitar em trilhos ou me envenenar. Mas poeta, se parar para vir me ler, voe para casa. Nossas malas já estão prontas e nosso enterro já está para chegar. Nós podemos mergulhar um no outro e então partir.
Amor,
de sua "sereníssima" e eterna amante.

Isabella Gomes