sexta-feira, 20 de maio de 2016

Do alto do muro eu vejo


O palácio lá no alto, palácio do planalto, casa branca, casa rosada
O palácio nos diz quem manda
As negociatas são feitas, as ideologias são reescritas num tom de hipocrisia
O palácio e suas escadas tão descritas e admiradas, pelos seus pés sujos seguidos

O palácio e as palmas das mãos
Que lado é mais sujo? Os pés no chão ou a mão que abraça a corrupção?
O palácio de areia caí sobre o chão, assim como seus pobres sonhos
Que lado sombrio estamos discursando? sobre essas areias dispostas sobre o chão?
O palácio limpo de toda corrupção? Tão surreal, propaganda vendida

Vendida, seus lucros e seus dividendos, estejamos atentos
Seus olhos brilham numa escuridão sem fim
Sua boca emudece num silêncio sem fim
Eis o nosso fim

O palácio caí
O verbo caí
A vida se esvaí
E por fim, vamos nós,,,até um fim


OTÁVIO SCHOEPS

MACACOS


Os interesses falam tão alto que nos ensurdecem
As atitudes nos denunciam de forma gritante
A massa surda à razão comem palavras como se fosse ração
O objetivo é claro o público bancando o privado

Os interesses enxergam tão longe que nos cegam
As atitudes nos camuflam de forma exuberante
A massa cega a visão e enxergam luz onde há escuridão
O objetivo é escuso o uso do dinheiro público

Os interesses vão além da nossa vã compreensão
As atitudes são de desdém
A massa batida, moldada e levada ao forno
O objetivo é o legado, sua deixa é uma nação de mãos-atadas

Temerosos estamos da perda total
Tucano é o aviso final
Ave de rapina lesa-pátria
Bem-te-vi nos roubos e furtos

OTÁVIO SCHOEPS

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Guerreira



Em suas mãos sempre uma bandeira ou um cartaz
Em seus olhos amorosos e esperançosos
Ouço sua sua voz ao longe, de um brado calmo
Ouço seus conselhos e seus anseios

Vejo o seu jeito peculiar ao lidar com o cotidiano
Vejo seus passos, sua sombra e sua luz
Me perco nos seus devaneios
Me perco na sua presença

Em seu toque suave tudo muda
Em seu toque o peso alivia
Sinto seu cheiro numa brisa
Sinto seu andar numa pluma

Seus olhos verdes se avermelham
Seus olhos verdes iluminam
Sinto a força da sua luta
Sinto a luta que te move

OTÁVIO SCHOEPS

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Tempos Patéticos



Tempos loucos e momentos patéticos
Se manifestam no domingo pra não atrapalhar o trafego
O uniforme da CBF
Tempos pós-modernos e momentos patéticos
Se manifestam na quarta-feira se atrapalhando e ao governo pedindo arrego
O colete da CUT

Tempos estranhos e momentos patéticos
É ver a Katia Abreu distribuindo churrasquinho ao MST
É ver o MTST pedindo divida ao minha casa minha vida
Tempos proféticos e momentos patéticos
É ver Eduardo Cunha multiplicando dinheiro na Suiça
É ver fariseu posando de cristão

Tempos de traições e momentos patéticos
É ter um partido aliado que acusa
É ter uma ponte para o futuro
Tempos surreais e momentos patéticos
É ter treta na padaria entre coxinha e enroladinho
É ter massa manipulada e podre

Tempos acéfalos e momentos patéticos
Trio-elétrico e coreografias fazem parte da festa
Pato gigante, volta da ditadura (que nunca foi)
Tempos microcéfalos e momentos patéticos
Trio-elétrico e bandeiras podres fazem parte da festa
Colete vermelho e pão com mortadela


"Que a lama da Vale levem coxinhas do Brasil Livre e enroladinhos do Povo Sem Medo, pois
da lama vieram para a lama voltarão"



OTÁVIO SCHOEPS

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Deus Mercado e o Santo Empresário

Sou o empresário e tenho os meus súditos assalariados
Sou endeusado, neutro e vangloriado
Minha bíblia é a arte da guerra
Conquisto espaços e mercados
Governos caem, de pé eu fico imaculado

Sou o empresário, ousado e visionário
Sou a ciência sem mim não existe
Minha finança é a ganância, seu sonho vai por terra
Conquisto o progresso que é a chaga dos explorados
Governo sem legenda, na minha mão a minha marca, imaculada

Sou empresário, minha empreitada e meu fascismo
Sou o sonho dos pequenos que esmagarei
Minha vida propagandeada na revista, jogada na loteria
Conquisto e dito o que deve ser dito
Governos se vendem a mim, tal como a cruz de Constantino

Sou empresário e a miséria que produzo e deve ser dizimada
Sou o céu nas trevas, sou as trevas da sua paz, a paz do mercado
Conquisto prestigio e elogio
Minha calma, te alivia, meu nervosismo, te amedronta
Governo sua terra como se não houvesse amanhã

OTÁVIO SCHOEPS

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Impedimento/Arrependimento


Ô parça de que golpe você fala?
O golpe foi dado nos trabalhadores, pescadores e aposentados
Ô parça, tenho cara de banqueiro, empreiteiro ou de fazendeiro?
O golpe foi dado nos que não estavam nos estádios na copa do seu mundo

Ô parça cá estou eu entre o seu impedimento e o meu arrependimento de ter dado trela a sua estrela
O golpe foi dado no seu peleguismo, nessa falsa paz entre as classes
Ô parça não entendo de dialética burguesa e tampouco da sua estética da pobreza
O golpe foi dado de cabo a rabo, e eu não tenho nenhum cargo dado

Ô parça não vem com essa fita de guerrilheira e sindicalista, não faço parte da sua lista
O golpe foi dado na carta aos brasileiros
Ô parça não me venha com a escola de Chicago, sou favelado
O golpe foi dado, golpe branco, sou preto

Ô parça tô ligado no capitão-do-mato, você não me mata
O golpe foi dado por sua escolha
Ô parça você não me ilude, sou vacinado
O golpe esfacelado você não está do meu lado

OTÁVIO SCHOEPS

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Barragem Rompida


Trabalho sujo e degradante
Não, não estou falando da limpeza dos esgotos e nem tampouco da coleta de lixo
Trabalho sujo e degradante
Inspirado no inferno de Dante, a maquiagem e o ar condicionado

O discurso mal feito, a falacia direcionada
O recurso mal direcionado, a fatalidade discursa

No mar de lama os peixes morrem
A noticia veiculada e contestada
No mar de lama os morte transborda
A morte veiculada e acostumada

Trabalho sujo e degradante
Sim, sim falando da misera riqueza, do esgoto a céu aberto e do rio morto
Trabalho sujo e degradante
Alimentado no céu burguês, o individualismo e o acumulo

O curso interrompido, a polis corrompida
O progresso oprimido, a polis invadida

OTÁVIO SCHOEPS

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Feliz

Domingo é dia deprimente
mas aqui é lei dissimular.
Então aqui vai meu repente,
que é para ninguém duvidar.
Estou tão cheio de alegria,
que não tem onde guardar.
Sexta nós estavamos no bar
as primeiras fotos já tiramos
antes da cerveja chegar.
Depois veio a porção de picanha,
mandioca, batata, e tudo mais.
Já estou até lamentando
que o relógio não volta para trás.
Tudo registrado e publicado,
para não haver engano.
O fim de semana foi bom,
tudo de acordo com o plano.
Sábado então só alegria,
calor, sol piscina, meninas.
A turma toda de óculos aviador,
não tem nada que combine mais
com esse clima de calor.
Podia ter aproveitado mais para nadar
Mas o celular não era a prova d'agua
E o importante era registrar.
Domingo é o dia mais difícil de disfarçar,
aquela angústia que bate fundo
parece não ter jeito de maquiar.
Mas como cabra experiente dou um jeito.
A fórmula é simples, não tem como errar.
Escolhe um filme bem clichê
e diz que é para descansar.
Do final de semana arretado
que acabara de passar.
Para não marcar bobeira
e suspeita nenhuma deixar
na manhã de segunda-feira
não se esqueça de postar
foto na academia:
"Iniciando os trabalhos"
Eita nóis felicidade, quem ousa duvidar?
Marco Aurélio