domingo, 6 de novembro de 2011

Algumas frases sobre o Brasil 1

Uma parte das elites, vêem os pobres assim como os jesuítas viam os índios; a outra parte vê os pobres como os bandeirantes viam os índios.

O Brasil não corre perigo de cair nas mãos nem da extrema direita e nem da extrema esquerda, pois o estado brasileiro é um Leviatã sem cabeça, ou seja, sempre nas mãos do PMDB.

O Brasil nunca praticou genocídio com negros e mestiços, pois a elite teria que trabalhar.

Somo cidadãos, no sentido que temos que ter documentos para abrir crediário, vender a força de trabalho, votar, prestar serviço militar e até para sermos presos.

Na ditadura persegue-se a oposição
Na democracia compra-se a oposição.

OTÁVIO SCHOEPS

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Zé Camarão e suas questões



Conhecido como Zé Camarão, menino nóia de qualquer periferia, sempre quando questionado o que é a vida?—repetia—é uma bosta; e assim viveu de alucinações e sonhos febris de uma infância mal acabada e de uma vida mal vivida. Sendo assim pela sua vida desregrada passou a noite ao relento tomando chuva e vento.
Amanheceu todo ensopado e catarrento; na sua cabeça não só os piolhos o incomodavam e sim uma secreção involuntária que lhe tirava a paciência e lhe assava o nariz, atrapalhando assim seu prazer de acender o cachimbo com sua pedra dos sonhos.
Ao refletir sobre a bosta de sua vida, chegou à seguinte conclusão:
Se minha vida é uma bosta essa catarreira é a cereja desse bolo de bosta que é minha vida. 

OTÁVIO SCHOEPS

domingo, 30 de outubro de 2011

Um córrego


A nascente agoniza
A correnteza leva sujeira
A vida não tem valor
O progresso e o seu vigor

Seus cílios, hoje despidos
Do abandono à erosão
Seus peixes, hoje reprimidos
Do descaso à poluição

As águas limpas se distanciam
Ao ver um córrego sentimos nojo
Hoje essa veia de água é um sinônimo de esgoto
De onde vem esse descaso?

Vem de uma cultura acostumada à fartura
De uma sociedade fechada em muros
De uma comunidade que não se identifica com seu meio
Da magia da água na torneira

OTÁVIO SCHOEPS

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ao Ultra-Jovem Marco



Saudações a você, Ultra-Jovem Marco. Gostaria, antes de mais nada, de dizer que sou você alguns anos mais velho.
Sim, você ai que com certeza vive em meados dos anos 90, provavelmente nem sabe ler direito ainda, mas com certeza conseguirá entender algo do que vou lhe dizer.
Desde já peço desculpas por decepcioná-lo, mas carros voadores não temos ainda, seria ótimo já que temos muitos engarrafamentos por todos os lados, porém ainda estamos longe de uma solução. Igualdade entre as pessoas e paz mundial também são coisas distantes, na realidade nunca estivemos tão longe.
Mas calma meu pequeno amigo, nem tudo é tragédia, atualmente as pessoas tem despertado e ao menos alguns perceberam que o governo não os representa, e que o estado foi sequestrado por uma elite que utiliza-o para oprimir o restante da população e garantir seus privilégios de classe.
Todo conhecimento, ou ao menos a maior parte do conhecimento produzido vai parar nas mãos dessa elite. É um monopólio de cérebros. Sem contar que as leis, os tratados e até mesmo a constituição existem para garantir seus direitos de livre comércio e de propriedade.
O mundo em que este jovem que escreve vive, não é muito diferente do seu, jovem criança. As contradições de seu mundo, não foram superadas no meu. Eu sei, isso é triste.
Mas tudo bem, acredito que não compreendeu bulhufas do que eu te disse, e que mal vê a hora de acabar logo de ler essa carta e voltar a jogar o mega-drive que tanto encheu o saco da mamãe para ela comprar. Está certo você. Eu seria bem mais frustrado se você não tivesse jogado tanto vídeo-game. Na realidade eu jogaria até hoje para me desligar um pouco, se não tivesse descoberto a cerveja e suas milagrosas propriedades.
Enfim, espero que aconteça alguma novidade aqui para eu poder te enviar uma carta mais otimista, acredite, estamos lutando para que as coisas melhorem - fazemos muito pouco é verdade, mas estamos fazendo algo.
Um forte abraço a você, Ultra-Jovem Marco.





Jovem Marco - 25/10/2011

domingo, 23 de outubro de 2011

Capitalismo e proto-capitalismo

Entre a exploração oficial e a exploração marginal
O crime vem dos dois lados com a violência
Político, Policia e Partidos do Crime
O crime e suas ligações com a legalidade uma união sinistra
Todos dentro desse sistema sujo
Qual a diferença entre um grande empresário e de um dono de uma boca?
Seria o produto?
Ambos exploradores
Ambos geram miséria
O oficial e marginal de mãos dadas
A diferença se dá aos olhos dessa sociedade hipócrita
E como são tratados pelo Poder Judiciário
A aparência, o produto, o lucro, os meios e o fim

 OTÁVIO SCHOEPS

domingo, 16 de outubro de 2011

Semana de História - UNISO 2011

Galera, para quem está em Sorocaba ou região, à partir desta segunda (17/10) começa a já conhecida e consagrada Semana de História da Universidade de Sorocaba. E no dia 19/10, haverá uma palestra organizada pelos terroristas feios e fedidos (E as vezes, estudantes de História) deste covil Blog. 
 A palestra contará com o professor de História e anarco-punk Julio César Bataiote (Zorel), dando uma aula sobre pedagogia libertária, com o tema "Educação alternativa e escolas anarquistas", e o professor de Geografia, André Mazzini, falando sobre "A pedagogia historico-critica e sua importancia na formação da classe trabalhadora". 


O evento será LIVRE e GRATUÍTO! Então, contamos com a presença de todos!





Desde já, obrigado!
Equipe do Lâminas Verbais


Perdoai nossas dividas

Pode começar com um obrigado
Pode acabar com uma desculpa
O prato cheio será cobrado
O pagamento do empregado

De favores, o nó desatado
De horrores, ficará esgotado
Dos males, faça as malas
Dos louvores, haverá esperança

Obrigado ao gasto, desculpa os juros
Obrigado ao custo, desculpa os juros
Obrigado ao uso, desculpa os juros
Obrigado ao sujo, desculpa os juros

Nos falam de um inferno tão abstrato
Veja a nossa estrutura social e verá
O inferno concreto

OTÁVIO SCHOEPS

sábado, 15 de outubro de 2011

O Professor Pedro / Seu dia especial e a Chuva.


Florestan Fernandes
"Quando a  revolução for feita nas escolas, o povo a fará nas ruas"


O Professor Pedro desperta com a luminosidade que entra pela sua janela, aos poucos vai se espreguiçando e animando o espirito para mais um dia. O café do sábado tem um gosto todo especial, longe daquele amargo funesto que inicia os dias fatigantes de trabalho durante a semana.
Este sábado ainda tem mais uma razão para ser um dia animado, não feliz, o Professor Pedro, assim como um alemão maluco chamado Schopenhauer, não acredita muito nesta tal de felicidade. Porém, o dia pode ser bastante animado, apesar da chuva, afinal, é dia do Professor.
Pois sim, de algum modo resolveu-se homenagear esta célebre profissão em um dia do ano. Por coincidência desta vez este dia caiu em um sábado, o que eliminou uma folga do calendário, e por mais coincidência ainda, choveu. 
Mas nosso amigo Pedro não se aborrece com estas coisas, de aborrecimentos bastam os que a vida já lhe oferece. Apesar dos pesares, o dia do Professor não é de todo mal. Pois deixando-se um pouco de lado o cinismo da propaganda do estado, o mesmo que avilta o salário destes profissionais e tem a audácia de dizer que é sobre os ombros destes homens e mulheres que repousa a carga da responsabilidade pelo futuro deste país, podemos usar esta data para refletir sobre nossa situação.
Claro, que refletir é tudo que o estado não quer, o Professor Pedro sabe disso. Mesmo assim ele dedica toda a sua manhã a pensar e repensar a sua prática, e sobretudo as condições em que se encontra. Nosso jovem e aguerrido educador não pretende capitular tão já. Ele tem um inimigo e vai combatê-lo até o ultimo suspiro. Não pretende de forma alguma se entregar ao comodismo ou a desilusão.
É assim que o Professor Pedro acha que deve se encarar esta data, dignificando a si mesmo através do pensar. Não só pensar, mas repensar. O dia chuvoso é perfeito para isso. É mais ou menos assim que se encontra a situação da educação no Brasil. Uma nuvem negra de precariedades e alienação em massa paira sobre todos nós.
Depois de refletir e adiantar algumas leituras, Pedro decide que então é hora de aproveitar seu tempo liberado. Um café bem caprichado, um pãozinho com geleia de morango, um bom filme, um cigarro de palha, e por que não alguns trechos de Schopenhauer para alegrar.

...


Um forte abraço a todos os leitores do Lâminas Verbais, e parabéns a todos os profissionais da educação, que assim como o Professor Pedro ainda não capitularam mediante as intempéries do dia a dia, aos desarranjos e sabotagens do sistema. Também um forte abraço aqueles que atuam nos bastidores, mas que garantem que a educação aconteça, contribuindo de igual maneira com a vida escolar, estou me referindo ao pessoal da limpeza, cozinha, biblioteca, manutenção e serviços em geral. Todos estes também vítimas do canalhice do estado neoliberal. Até a próxima postagem. 


FELIZ DIA DO PROFESSOR!!!





Marco Aurélio