domingo, 2 de junho de 2013

Um espantalho a ser abatido / por: Luiz Fernando Toledo
















A distinção entre liberdade e autoridade no feminismo
Feminismo é um termo controverso, não compreendido e extremamente mal divulgado. Seu significado é tão simples que, em sua concepção original, soa quase absurdo que existam vozes contrárias ao ideário.

A primeira das confusões está no campo dos sentidos: alguns pressupõem que a palavra seja uma linha de oposição extrema ao machismo, ou seja, a elevação da mulher como sexo dominante. Falácia. Feminismo é exatamente o princípio de que, afora as óbvias diferenças fisiológicas entre um homem e uma mulher, todo o resto é condição social.

É empírico. Basta que verifiquemos a quantidade de mulheres em ascensão aos cargos de liderança em empresas e no governo de diferentes países nas últimas décadas. Embora o Brasil tenha uma presidente mulher, ministras mulheres, presidente da Petrobrás mulher, fica evidente que o papel feminino na política ainda é escasso. Há cidades brasileiras sem nenhuma vereadora ou liderança  política feminina.

Mesmo com a reforma na lei eleitoral 9100, realizada em 2010 pelo TSE, que assegura o mínimo de 30% das vagas dos partidos a um sexo e o máximo de 70% ao outro, a alegação das legendas é que a participação ainda é baixa. O problema não se consome na mudança de estrutura das instituições. Passa, principalmente, por uma questão cultural. Assim como em diversas áreas do conhecimento, ainda pouco ocupadas por mulheres, especialmente no que diz respeito às ciências exatas. Daí a importância do feminismo como processo de emancipação da mulher.

Diante de alguns estudos e estatísticas, não há dúvidas sobre a importância de um movimento desse porte. Mas, como nenhum pensamento é cristalizado e não há caminhos racionais de luz como propuseram os revolucionários iluministas, a sociedade faz questão de distorcer argumentações e tornar um processo que passou de luta pela igualdade à disputa de poder e autoritarismo.
A existência de entidades que promovem o feminismo com bandeiras específicas tornou-se comum nos últimos anos. O Femen, surgido na Ucrânia e trazido ao Brasil pela representante Sara Winter (expulsa recentemente do grupo por não cumprir metas por ele estabelecidas), recebeu notoriedade da imprensa pelos protestos com mulheres nuas e posições extremistas. Grande quantidade de reportagens passou a dar destaque a um grupo de mulheres que decide o que outras mulheres devem fazer ou não. A beleza feminina virou ferramenta de dominação da sociedade patriarcal. Posições sexuais acabaram em motivos de protesto. Houve mesmo quem argumentasse que a submissão sexual da mulher na cama é reflexo de seu papel na sociedade. Foi assim que o feminismo associou-se a práticas que nada têm a ver com o sentido que prega.

O jornalismo tem o poder de agregar conceitos à mente do leitor. Basta que um termo venha ao lado de outro em um título, e não haverá senso crítico que desconstrua ideias deturpadas sobre este mesmo termo. A legitimidade da busca por consenso entre gêneros cai por terra e substitui-se a liberdade por uma guerra de homens e mulheres. O machismo às avessas.

Gosto de um argumento usado pelo vlogueiro Pirulla, ao tratar de questões sociais, que ele chama de “mola”. Os movimentos das minorias começam oprimidos, reivindicam direitos para se tornarem mais livres, mas em algum momento uma parcela deste movimento vai querer mais, acabando com o próprio sentido de sua existência. Exatamente como o movimento da mola, que se contrai, se expande além de seu comprimento original e depois retorna ao estado de equilíbrio. As “expansões” produzem resultados de distorção sobre o argumento original.

Mas é importante que não exista um enfraquecimento do feminismo por conta destes muitos espantalhos que a ele se apontam. Não faltam discursos biológicos e pseudocientíficos que tentam comprovar que se a sociedade está assim dividida, é porque existem forças darwinistas ou algo semelhante. Há quem defenda que as coisas funcionam como funcionam porque existem instintos. Pois então retornemos a algum tipo de estado natural em que, ao ver uma pessoa do sexo oposto na rua, pratiquemos o estupro. Isso não é muito diferente do rapaz que tece grosserias às moças na rua e diz que elas deveriam entendê-los como um elogio. É fundamental que pensemos o ser humano não apenas como ser físico, mas também social e psicológico.

Emancipação não significa obrigação. Se uma mulher, consciente de seu papel social e suas possibilidades, decide que quer ser dependente de um homem, não há argumento que lhe demova tal direito. Ela pode. Se esta mesma mulher quer que o rapaz pague contas, ela também pode. Se ela quer usar a beleza como sua fortaleza, está permitido. O grande truque desta palavrinha, a tal liberdade, é que ela permite tudo em que haja consenso entre as partes envolvidas. Homem ou mulher.

Esse é o espantalho que criamos para ser abatido. Um tipo de feminismo que não existe, não prega igualdade, mas apenas perpetua uma visão de mundo em que a disputa de poder ocorre até mesmo entre os gêneros. Sejamos quem nós quisermos ser.


Luiz Fernando Toledo

domingo, 26 de maio de 2013

Sou um rapaz Latino Americano


Explorada desde a chegada dos primeiros europeus, despojada de suas riquezas, coberta pelo sangue e pelos cadáveres de seus filhos e filhas - mortos e dizimados pela ganância de uns poucos "homens de bem". É esta Terra que recebe o nome de América Latina.
Desde o Rio Bravo no México até a Terra do Fogo no extremo sul do continente, o solo Americano abriga um povo que tem em comum o fato de terem perdido algo. Perderam as riquezas da terra, perderam sua cultura, sua identidade, sua liberdade, sua autonomia, perderam até mesmo o direito de serem chamados de Americanos. Americanos são os WASP, ao sul do Rio Bravo são todos Cucarachas.
São os Cucarachas que sofrem com a falta de emprego, o alto preço de alimentos, transportes coletivo precarizado, secas, enchentes, falta de acesso a terras, e tantas outras dificuldades. Ao sul do Rio Bravo o progresso não chegou, para a grande maioria do povo a vida é semelhante ao que era nos primeiros decênios da colonização.
Por isso, a grande maioria dos jovens desse continente se identifica com o trecho da canção de Belchior. Sim, também sou "apenas um rapaz latino americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior".



Marco Aurélio

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Hey, como vai?
















O Clima era Ameno, típico de uma tarde fria em meados de maio - época em que as temperaturas começam a cair.
O rapaz chegava ao seu trabalho, com seu jeito desengonçado de andar e carregar a mochila. A barba negra bastante crescida e a camisa de flanela mal acomodada sobre o corpo lhe dão o aspecto despojado que lhe é característico.
Então bem em frente ao portão de entrada, mira uma moça que estava de costas. Ele pensa que talvez pudesse ser alguma jovem mãe queixando-se sobre notas, o que certamente lhe iria aborrecer por uns instantes.
Ele pensou em passar sem ser notado. No entanto, a moça se vira. E para grande surpresa de nosso jovem, tratava-se de sua ex-namorada, com quem mantinha contato e boa amizade. Quanto tempo que não a via, de imediato um aperto invade-lhe o peito e uma sensação de embrulho toma conta do estômago.
Como estava bonita. Afinal, por que diabos foram romper? Ele nem se lembrava mais. Amores e desamores passaram na vida de ambos, porém parecia que não havia mudado muita coisa. Ele se perguntava enquanto mirava seus olhos castanhos, se acaso ela sentiria o mesmo. Ele achava que sim, embora soubesse que jamais teria certeza, ela sempre dissimulara bem.
Um abraço apertado para completar. Ele se desespera quando o abraço começa, e se desespera mais ainda quando acaba. Não queria que começasse, e depois queria que durasse mais. Umas palavras trocadas, uns sorrisos desajeitados, e o mesmo clima de inquietude no ar. Mas tiveram que partir. Ele para a sala de aula, ela para um velório.
Ao final de tudo... Hasta Luego

Marco Aurélio

Meus pêsames



Meus pêsames
Todo o meu o meu pesar por uma alma que parte
Dessa terra inglória e perdida no universo
O que fica são as palavras amigas e versos tortos, tortuosos, na passagem por esse plano astral, onde o mal cria raízes
Arraigados e apegados somos a matéria densa que ocupa a sobrevivência
Enquanto a nossa essência se esvai rumo ao ralo do submundo das paixões vencidas
Com o mesmo coração bate o ódio, bate o amor, o peito estufado o ar entra, as Veias saltam, saltam sem rumo, a vivência incompreendida, mal vivida, perdida, o fim se aproxima a passos largos e lentos

OTÁVIO SCHOEPS

terça-feira, 21 de maio de 2013

Soneto humano


Fico sentado observando,
Cada ser humano
Cada um de um com suas qualidades
Mas ao mesmo tempo todos tão iguais

Sentem dor, choram se emocionam
Alguns mais do que outros
Mas todos nos somos
Iguais todos nos sangramos

Muitos tentam se destacar no meio de muitos
Muitos fingem se esquecer de onde vieram
Outros simplesmente dão as costas

Os mais humildes preferem levar consigo
Cada lição cada aprendizado cada erro e cada acerto
Pra que num futuro possa ser um alguém melhor

Vinícius Santiago

domingo, 19 de maio de 2013

Dias comerciais




Infelizmente vivemos em um sistema onde se é criado dias para “dar importância” à pessoas que amamos, ou que acreditamos, ou dias como por exemplo a “Páscoa”, onde geralmente não nos perguntamos por que um dia “Santo” é simbolizado por chocolate. Bom através deste texto venho lhe dar um “susto” rs, estes dias foram criados apenas com intuito de gerar consumo, logo dinheiro.
Penso que se realmente alguém ama sua mãe (exemplo) não é necessário que seja o “dia dela” para que você demonstre isso, não temos que ter medo ou esperar uma data comemorativa para demonstrar o quanto esta pessoa é importante em nossas vidas.
Estes dias então se tornariam inúteis e você não iria ter que gerar lucro comprando presentinhos ou lembrancinhas que sejam.
O sistema não está nem um pouco interessado no que você sente ou deixa de sentir, ele apenas quer o seu dinheiro, ele apenas quer lucrar, quer que pague impostos, quer que enriqueça a classe dominante, e é exatamente isso que você faz amigo quando tapa os olhos querendo não “enxergar” esta realidade que se torna cada vez mais constante pois, daqui uns dias inventarão mais e mais dias para você apenas ter uma “desculpa” para consumir.
Presentes jamais irão fazer com que alguém pense que você o ama, portanto tome atitudes que demonstre isso ao invés de sair por aí “ajudando” este sistema capitalista para depois reclamar das 4 horas que passou esperando para ser atendido em um hospital.

Karina Faria.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Céu e Terra


Eu me conheço e aceito, cruel é o passado a eternidade são promessas e esperanças
Ando em frente seguindo o fluxo da vida
Viver pode ser um blefe
Ora correndo, ora se escondendo
Num quarto escuro
Escuro como os pensamentos
A neblina, a névoa e a garoa
E o sol raia e queima a pele
Machucam os olhos

Os olhos se fecham
A mente se expande
Não era tão mal assim
A cevada e o doce da vida
Ludibria e esclarece esse novo dia
Meu pensamento voa, mas voa sem regras e nem estatísticas
Voa de encontro as nuvens
Essas nuvens brancas, cinzas e negras de tempestades
Que lavam essa terra suja e agourenta
Essa terra que sujamos e xingamos
Essa terra que nos suporta
Essa terra banhada a suor, sangue e lágrimas

OTÁVIO SCHOEPS




segunda-feira, 13 de maio de 2013

A ordem dos fatores altera o resultado


Veiculada na mídia e nas redes sociais um fato deprimente no qual uma mulher ensina seu filho a agredir um cachorro. Imagino a seguinte situação: Se essa mulher e seu filho fossem assassinados vítimas de latrocínio uma semana antes de terem sido filmados por seu vizinho? Seriam às vítimas da vez e, e se fossem assassinados por um garoto menor de idade?
Além de vítimas de um latrocínio seriam propaganda na campanha pela diminuição da maioridade penal e, por fim, nunca saberíamos dos crimes que a mulher praticava. Não sabemos o que se passa na cabeça das pessoas, a vida privada resguardada, respeitada, a individualidade invadida, desmentem os sorrisos dado na vida pública; as condenações imediatas por vias midiáticas são um perigo.

OTÁVIO SCHOEPS