terça-feira, 25 de novembro de 2014

Em todos os cantos


No conga, no altar, na caverna, o pedido feito
A previsão vislumbrada
No sonho, no pesadelo, o pedido refeito
A visão embaçada

O previsto malquisto
No agora, no momento, o ato feito
O visto esquecido
No sonhar, no pesar, o ato refeito

Nas brumas e as plumas
O vôo nebuloso
Nas andanças e os becos
O caminhar torto

O traçar e as flamas
No caminhar interrompido
O vislumbrar e as chamas
No torto caminhar


OTÁVIO SCHOEPS

domingo, 23 de novembro de 2014

NEGO


A notícia circula com alarde
A solução é castrar, prender e matar
A polêmica está no ar
A mídia e o alarme

O inimigo público identificado
Aos berros a população julga
O amigo público identificado
Aos berros a população o divulga

Como poste sem luz, os posts propagam
Com a vida ameaçada, as mortes espalham
Como pavio acesso, as notícias vinculam
Com argumentos rechaçados, as mentiras creditam

A solução apontada é um blefe
Aos berros, nego
A polêmica instaurada é um blefe  
Aos berros, nego


OTÁVIO SCHOEPS

sábado, 22 de novembro de 2014

Conhecimento/Sofista/Sofisticado


Conhecimento rotula e desprende
Adequar e julgar
Conhecimento e rótulo frio
Xingar e condenar
Conhecimento e as relações quentes
Queimar e purificar

Conhecimento prende e desmente
Analisar e classificar
Conhecimento e a vida por um fio
Atestar e comprovar
Conhecimento comprado e vendido
Comprar e se vestir


OTÁVIO SCHOEPS 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Partido

Tomo partido
Das dores e dissabores,
Daquilo que está dividido,
Daquilo que não foi nem dito


Daquilo que supera o ambíguo,
Do individualismo de Narciso
Dos odores e as dores
Daquilo que enumera os tremores

Da justiça de Niké
O bem me quer e o mal me quer
Com balança e a espada aos seus pés

A espada dilacera,
Mas não é a justiça que espera
A luta severa,
Mas não é a ideia que persevera

O parto, o fardo e o fato
Partidos, daquilo que a sociedade espera
O mar morto, a vida vendida e o acúmulo
Partidos, daquilo que a sociedade aglomera

Da injúria de Baco, é o viés
O bem mal sabe

Com matança e a culpa pária  

OTÁVIO SCHOEPS/ RODRIGO PETIT

MTST-SP


O prédio central valorizado e simbólico
Não tem cercas brancas, nem tampouco um gramado cheio de crianças
O prédio central cercado de polícia e justiça
Não tem justiça, nem tampouco política

A marcha segue
Morar num prédio ou num cemitério
A mancha segue
Estancar o sangue ou tomar remédio

O acúmulo primitivo e moderno
Não tem água, apenas as avenidas concretas
O cumulo e o absurdo
Não tem ar, apenas a fumaça do progresso

A rotina segue
O passar do tempo alienado
A morfina segue
O passar do tempo amordaçado


OTÁVIO SCHOEPS

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Riopolis


As cidades crescem tortas e mortas, os rios serpenteados
As cidades não civilizam, animalizam, a reta marginal
As pessoas crescem tortas e mortas, a cidade e suas vias
As pessoas não humanizam, animalizam, a via marginal

Dos animais naturais
Os animais civilizados
A cabeça, o tronco e os membros
De nada servem, só servem

As cidades crescem na lógica destrutiva
As cidades conurbadas, não se juntam
As pessoas próximas se odeiam, não se unem
As pessoas decrescem na lógica individualista

Dos animais evoluídos
Os animais no topo
A cabeça, o tronco e os membros
De nada vivem, só morrem


OTÁVIO SCHOEPS

Certa Incerteza


A certeza é o presente passado
Prestes a desistir, resisti
A incerteza é o futuro almejado
Prestes a fugir, defendi

O calor ainda fustiga
Prestes a clamar, exclamei
O frio ainda enrijece
Prestes a aceitar, revoltei

A lei nos puxa para baixo
Prestes a tolerar a gravidade, voei
A liberdade nos empurra para cima
Prestes a ficar sem ar, sufoquei

A beleza é o presente encarnado
Prestes a acreditar, duvidei
A tristeza é o futuro ditado
Prestes a ceifar, iluminei


OTÁVIO SCHOEPS

sábado, 15 de novembro de 2014

Beira Mar


A beira mar debaixo de uma árvore
O vento suave, as folhas se movem
Numa dança cadenciada
O mar azul e as ondas juntas
O céu azul e as nuvens dispersas

Sobre a vida contemplada
Sobre a vida ditada
Sobre a morte anunciada
Sobre a morte editada

A ventania, as folhas caem
A ressaca do mar arrasta
E o céu se acinzenta
Numa força da natureza, justiça divina
O sol se esconde

Sobre os morros desabados
Sobre as ruas alagadas
Sobre o lixo acumulado
Sobre o luxo imaculado


OTÁVIO SCHOEPS