segunda-feira, 5 de março de 2012

Professor Pedro / Manhã de Sol / Carimbo / Botequim e Óculos Escuros - Parte1

Foto de: Maria Carolina

















Era segunda feira, dia da preguiça. Afinal ninguém gosta das segundas-feiras, são dias que não passam, se arrastam através do tempo-espaço.
Porém, Pedro estava animado, iria dar as aulas de religião que tanto gostava. Pedro realmente acordara com o pé direito.
Desceu um ponto antes e foi caminhando, parou numa padaria de burguês - que fica no bairro Santa Rosália. Lá estacionou por uns instantes, comeu dois pães de queijo e tomou uma xícara de café. Pedro amava café, e estava colocando cada vez menos açúcar. 
Na hora de pagar a conta um surpresa; cinco reais e sessenta centavos. Uma bagatela para qualquer um dos fiéis clientes do estabelecimento, um desaforo para um Professor da rede pública.
Mas não foi isto que tirou o bom humor do jovem Pedro. Já de volta a caminhada Pedro passa pela belíssima praça que fica em frente ao mais novo Shopping - pasto - Center da cidade. Como estava lindo aquele lugar, lindíssima paisagem; o sol por entre o emaranhado de galhos brilhava com suavidade e saudava o jovem docente.
Pedro estava, radiante naquela segunda feira do mês de Março, e nada tiraria a alegria de suas faces.


Marco Aurélio











domingo, 4 de março de 2012

Contos Causos e Crônicas do Índio - Sou apenas uma criancinha



















Apesar da idade, diante deles, sou ainda a criança que engatinha. Ensinam-me os primeiros passos os meninos que me veem igual a um mestre. 
Nada saberia o velho se não tornasse criança outra vez e nos braços dos jovens encontrasse acalanto.
A troca de idéias entre as gerações é de suma importância para o amadurecimento de garotos e idosos; não raras vezes percebe-se que os moços são sábios e os veteranos estão perdidos em uma era não lhes pertence mais.
Privilegiado sou pelas experiências recentemente adquiridas; grato pelo interesse de minhas escritas junto aos adolescentes. Num tempo em que poucos leem, onde a inversão de valores é escancarada diariamente com o apoio total da grande mídia, percebo que existe ainda espaço para meus rabiscos - graças a eles. 

Luca Quinhão, Gabis, entre tantos e Grazi Sette, BRIGADÃO!!

Nota: Lucão é formando em História, onde já dá mostras do talento que desponta; com passos largos caminha. O Jovem ao lado do Professor Pedro e Alecão, tanto "pentelham" o criador do Jori.
Sucesso!!

Indião - Neusir

sábado, 3 de março de 2012

É triste e bom


É triste pensar que as coisas não precisariam ser como são
É triste saber que para alguns, somos coisas
É triste ver o planeta sendo consumido
É triste ser uma peça do sistema

É bom pensar que as coisas possam mudar
É bom saber que há alternativas
É bom ver que o planeta não pertence realmente a ninguém
É bom ser, saber, ver e pensar

E a vida se engrandece
Nessa miséria de belas propagandas
E a morte se apequena
Nessa luta pela vida

O relógio não pode ser mais que o tempo
O Estado não pode ser mais que o indivíduo
A indústria não pode ser mais que a necessidade
A matéria não pode ser mais que a alma

OTÁVIO SCHOEPS

Bom dia, é meio dia.



















A mulher abriu o portão para sair com as cachorrinhas, que urinaram no meio da rua onde não passa quase ninguém.
Bela Cena! Mas pena.
O caminhante assustou a moradora, que aos gritos espantou os animaizinhos. Em desabalada carreira, dona e cães se refugiaram no lar.
Não era noite; e sim plena luz do sol de final de verão, doze horas e doze minutos, talvez.
O único observador da cena, com poucas chances de erro, diria que a mídia sensacionalista dissemina neurose coletiva à população; ou seja, você é bandido até que prove sua inocência. O cidadão foi confundido com malfeitores. Ele apenas disse " Bom dia ".
Ficou sem resposta.
Esqueça a humilhação, senhor.
Desejo-lhe Bom Dia, mesmo que seja tão tarde.

Autor: Neusir - Índio. 

Contos, Causos e Crônicas do Índio - Onze e Onze




















Para o mundo, o momento passou despercebido, no entanto, naquele encontro casual no trânsito caótico da avenida Américo Figueiredo, os parceiros traçaram importantes metas.
O jovem de boas idéias pediu a opinião do velho que imediatamente ratificou-as.
Pensar grande, tirar as mãos do chão e caminhar de forma ereta é o grande desafio. Poderíamos dizer que perderam o medo do escuro.
O proveitoso diálogo de poucos minutos ficou concluído exatamente as onze horas e onze minutos, observou o rapaz. Vinte e nove de Fevereiro, somente daqui a quatro anos, lembrou o veterano.
Os amigos se despediram e colocaram os pés na estrada, em busca do mesmo ideal.

Sucesso, Pedro.
Bom Dia.

Autor: Neusir Índio.

quinta-feira, 1 de março de 2012

- Velhas Virgens? - Não. Bukowsky. ( inadequado para menores de 18 anos )

O cara está com os testículos latejando.
Seus bagos doem terrivelmente.
É como se um raio os tivesse atingido.
Tudo isso porque?
Sua garota o deixara literalmente na mão.

A dor nas bolas,
é algo que todo XY sob a face da terra
já deve ter sentido,
ao menos uma única vez.

Ter essa dor e não ter nenhum buraco para aliviá-la,
é como ter sede e não ter água para beber.
É a coisa mais incomoda do mundo.
Ela começa bem no saco e vai subindo,
acho que aquelas cordinhas que os seguram
fazem a ligação.
Sobe.
E como sobe.
Atinge todo o abdômen.
Nem mesmo a dor
de vomitar aqueles líquidos fluorescentes,
quando se está bêbado,
chega perto disso.

Vomitar bile.
Tossir os pulmões fora.
Nada disso é tão ruim quanto
a dor nas bolas.

Soube que as garotas sentem algo semelhante,
espero que seja tão ou mais insuportável que isso.
Para que elas saibam de nossa dor,
e jamais tornem a nos castigar.
Afinal que esforço pode haver,
em abrir um pouco as pernas?
Nem precisa alongar muito,
é apenas o espaço necessário
para acomodar uma pélvis.

E se me perguntam se isso é Velhas Virgens,
eu respondo que é Bukowsky.
Afinal são versos de minha autoria,
mas que audácia teria eu para assinar esse negócio?
Pelo menos aquele velho alemão maluco já goza da má fama.
Aliás não goza mais porra nenhuma, morreu 
pobre coitado.


Charles Semem ( com M no final e sem acento. Obrigado )

Hey Joe

Joe é um pervertido, da pior espécie, acreditem. Não pensa em outra coisa que não seja sexo. E pensar que seu nome foi inspirado por uma música famosa na voz do velho Hendrix - ela narra a história de um cara chamado Joe, que vai atirar em sua mulher por que flagrou ela com outro cara.
O pai de Joe teria vergonha se soubesse que o filho é um depravado. Daqueles que tem set list de filmes pornográficos no computador, um dos braços mais forte que o outro, e sempre está correndo atrás de um rabo de saia. Cada vez que vê uma garota abandona seu jeito calmo e age como um cachorro no cio.
Esse é o velho Joe, 32 anos, cabelos ralos na frente, barba já meio grisalha e incômodos 1,84m de altura. Não fosse o jeito desengonçado sua altura seria atrativo para as garotas, mas não, não para o velho Joe.
Joe não tem jeito mesmo com as garotas, faz mais do que precisa e o que precisa de verdade ele deixa em branco. É cômico de ver ele abrindo portas, puxando cadeiras, pagando a conta, mas na hora que mais precisa de uma atitude ela não vem.
Pobre Joe. Todos que o veem na rua acreditam que ele é o terror das garotas. Mas o pobre Joe não passa nem perto do tamanho da sua fama. Muita gente diz que ele esconde o ouro, tudo mal entendido, Joe é mesmo um fracassado. Ele se convenceu que é um fracassado, e ninguém tira isso de sua cabeça.
Pobre Joe, não me estranharia nem um pouco se um dia tivesse que Gritar:

- Hey Joe onde é que você vai com esta arma ai na mão?



Marco Aurélio

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ruído do Silêncio


Um belo dia Felício ia para sua aula na faculdade, como de rotina já saia do trabalho e ia direto para economizar alguns trocados para seus cigarros e porque também não podia esbanjar tanto assim. Sua aula era de Linguagem e Interpretação, ótima e ele apreciava com louvor.
Em certo momento seu professor ao retornar do intervalo, senta-se em sua cadeira a frente dos alunos e começa a discorrer sobre o governo de São Paulo e sua educação fajuta, fora uns 30 minutos de indignação por parte de seu professor, assuntos vão sendo cogitados. Uma colega de sala expõe seu ponto de vista falando que a culpa não é só apenas do estado e sim dos diretos de escolas que não sabem usar as verbas adequadamente e que os professores não correm atrás de uma especialização porque apenas não querem.
Felício acompanhava a discussão em silêncio e criando sua própria opinião, mesmo que sendo fajuta era sua opinião, só que em um momento que sentiu abertura para expor preferiu ficar em silêncio, não adiantava falar com as portas da vida.
Porém seu pensamento era igual da época da ditadura, só que sem risco de morte, levar os funcionários da educação, estudantes, familiares, tudo em prol de uma adequação melhor das escolas estaduais, pois ele se lembra de quando cursava seu ensino médio, na própria escola havia os alunos que a degradavam.
Porém o silêncio como ele mesmo pensa é uma linguagem para sábios, apenas os sábios costumam ficar em silêncio diante de um dialogo.
Mas quem sabe alguma voz firme leia suas palavras e pense, reflita e crie uma ideia melhor do que seria educação ideal, preparação ideal dos professores e acima de tudo, uma justiça real que não apenas pense em encher seus bolsos e sim encher nosso país de capacitados para que não sejamos taxados de macacos e mongóis fora do país.
Felício sonha, espera e quem sabe um dia isso venha a calhar, enquanto isso fuma seu cigarro, toma sua cerveja e aguarda o dia D, o dia em que tudo irá virar DEMOCRACIA!

Felício Triste,
São Paulo, 30 de Abril de 2009.