sábado, 25 de fevereiro de 2012

Contos, Causos e Crônicas do Índio - Violência Zero























Noite linda. Lua, planetas. Não tem poluição a ofuscar o brilho dos astros. A olho nu vemos Marte, Vênus, Saturno e a imensidão da Via Láctea. Aqui em baixo os casais estão sentados em cadeiras de balanço, nas calçadas, enquanto os filhos obedientes brincam de pega pega, roda roda, e passa anel; isso em plena via pública.
É possível, pois já é tarde da noite, já passam das 21 horas e não existem motoqueiros empinando suas possantes máquinas e maus motoristas a atropelar cães, gatos e nossas crianças.
Os televisores, computadores e celulares estão desligados, as perigosas máquinas não mais serão acionadas.
Não tem pornografia na tela e nem venda de assinaturas p/ espiar os confinados, até poderia, pois o BBB do Bial não é imoral: em vista desta paz acabou o divórcio.
As pessoas com papeizinhos brancos caminham de mãos dadas. O moço descalço também, apesar da cor da pele.
Tenho que pedir perdão, ninguém maltrata animais, todos são fiéis tão qual o cão. O único mentiroso sou eu, tenho urgente que retirar do Lâminas os textos violência I, II, III e IV.
Eu menti, logo eu!
Dona Ninha e Maberia sempre me ensinaram a ser honesto e não mentir, para agradar a tupã e ser protegido por ele. Logo eu!
Perdão mãe, perdão, tia.
Acordei! Droga!
Como é bom sonhar.

Texto dedicado aos que odeiam Índios.


Para visualizar meus outros textos, com maior facilidade, digite " NEUSIR - ÍNDIO " no campo de busca.

Autor: Neusir - Índio.

Contos, Causos e Crônicas do Índio - Carnaval?


Estávamos em pleno carnaval.
Disseram, eu não vi.
Os gringos quiseram e vieram para vê-lo.
Penso por que saem de tão longe para ouvir os repetitivos sons dos tambores.
Penso um pouco mais e percebo que bundas e peitos são mais atraentes que as paradinhas das baterias e os repiques dos tamborins.
Se puder dar umas apalpadinhas, a viajem valeu a pena.
Será que os forasteiros tem muito dinheiro e não sabem aonde gastar, ou como nós contam e guardam moedas o ano inteiro, para descer a Serra do Paranapiacaba e dar uma salgadinha de três dias na nossa?
Também temos bunda.

Lamentável será deparar com um luxuoso navio invadindo a praia.
Não temam os tubarões!
Voltem sempre, Hermanos. Gracias.



Autor: Neusir - Índio.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O Estado brasileiro

Tem coisa mais inútil que o Estado?
O Estado é um mundo de faz de conta
O Estado faz de conta que é para o nosso benefício
Alguns fingem que acreditam e enquanto outros acreditam
Como descrever o Estado brasileiro? Pensei nisso:
Imaginem um homem que acorda cedo e vai trabalhar receber uma miséria, sendo explorado com um sorriso enorme no rosto, pega ônibus lotado, e quando chega, no trabalho é esculachado, o chefe só não come ele, pois acha ele feio, mas come a mulher dele e a filha dele. Mas quando esse mesmo homem explorado e esculachado, quando chega, em casa as coisas mudam, lá ele é o chefe, autoritário, sádico e soberano. Bate na mulher, nos filhos, nem o cachorro escapa, porém tem medo dos vizinhos, bate sem muito escândalo. Esse é o Estado brasileiro comandado pela elite mais pobre, sádica e mesquinha do mundo.

Essa é minha visão sobre o Estado brasileiro.


OTÁVIO SCHOEPS

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Contos Causos e Crônicas do Índio - Violência IV



- Você vai ficar cego, ou até amputar as pernas se...
Chocante e infeliz observação fez o pai ao flagrar a criança que pretendia abocanhar o irresistível chocolate.
Quisera eu neste momento estar iniciando apenas mais um conto do Índio, ou que fosse uma crônica de um fato isolado da cidade que cresceu de forma desordenada. Seria menos comovente e preocupante; mas não é assim.
Quantos menores em formação de sua personalidade são repreendidos com colocações tão fortes e nem sempre verdadeiras.  As consequência para o futuro do menor poderão ser desastrosas. No caso ora citado o progenitor gritava com o filho de tão somente quatro anos de idade. Creiam!
Não pretendo exagerar na minha modesta opinião, todavia comparo tais atitudes a atos violentos, não menos que o enforcamento do bebê com o próprio cordão umbilical, cuja autora foi a mãe. A deformação do rosto do homossexual corroído pelo ácido atirado de um veículo; a morte do Galdino, ou o punhal que sem piedade é cravado no coração do leitão que chora e implora pela vida, pois ele e ninguém gostaria de ser transformado em salsicha, presunto ou torresmo pururuca. Sentem seu sofrimento seus pais e irmãos até que chegue sua vez. Não faltará freguês.
Violência é violência não importa contra quem, ou o quê. Se forem anotadas em folhas de papel e colocadas lado a lado, as crueldades que saem da boca, em poucos dias, dariam para cobrir toda superfície da esfera azul. Porém...

"Imagine all the People / Live the life in peace - Lenon"

Imaginemos que os pedaços de papéis no solo sejam os habitantes de mãos dadas caminhando para a mais alta de todas as montanhas em busca de paz. Lembraremos do velho que desceu a terra, para consolar o menino, que chorava a perda dos irmãos e disse:
- Temos que chegar lá pelos caminhos tortuosos, estes nos fortalecerão na vida que se iniciará.
Apontava para as nuvens o homem de longas barbas brancas.
Neri Jori entrou na manilha e dormiu sorrindo, como se estivesse na mais confortável das moradas.


Profº Pedro valeu! 15 anos! A imagem foi oportuna. 
Nota do Índio: Coordenador do Lâminas, o jovem docente, colabora na escolha das fotos publicadas em contos causos e crônicas do Índio.



Autor: Neusir - Índio

Contos e Causos do Índio - Violência III

Matam baleias, seus fetos e filhotes. Os bois, as vacas e os vitelos. Onças, antas, e lagartos. Leões marinhos, focas e ursos polares, gorilas. Não escapam nem os gigantes; zebras, girafas e elefantes.
Sofrem ainda mais os pequenos; jaguatiricas, saguis e catetos.

Derrubam palmeiras, cedros e jacarandás. Destroem toda a floresta. Agonizam os pássaros, calangos, jararacas e urutus. Desaparecem até os Urubus.
Secam os rios, fogem os sapos, rãs e grilos. Ninguém sabe para onde foram os peixes.

Pedem socorro as crias, nada podem as mães, pois iguais a eles também estão:
- Morrendo!!

- Que mundo tão civilizado é esse?

- Que espécie de inteligência é essa?
Gente?
- Dementes?
Um dia serão julgados e castigados pelas enchentes. A natureza, enfurecida, cobrará justiça em favor da fauna inocente.

Dedico ao Prof. Pedro, Schoeps e Neri Jori Francisco.



Autor: Neusir - Índio.

Sobre a míseria da existência

``Fui posto a caminho entre a miséria e o sol”
(Albert Camus)

Quanto ao fato de sermos homens nos traz culpa e angústia e toda sorte de sentimentos comuns ao nosso cotiadiano podemos exigir o que de nossa vida além de uma revolta anterior a nossa vida.
A miséria humana é espalhada por toda a terra e podemos observar todas as condições dos homens frente ao desespero humano não existe precedentes na sociedade moderna em que podemos ver o homem extremamente em descompasso com sua vida não podemos vislumbrar nada apenas podemos ver a cada dia nossa míseria forçando cada vez mais nossas mentalidades.
Não podemos exigir soluções da vida ela não nos traz nada mais que uma realidade invertida mistificada pela sociedade mediada pela modernidade podemos então escapar as soluções do cotidiano nos revoltando frente à realidade da miséria humano física e existêncial frente ao sol debaixo dessa estrela radiante.
Talvez nada possamos fazer apenas a revolta nos é dada como solução onde a vida é um caminho de miséria em que todo homem passa sem estar imune as condições materiais e vivências dessa experiência.


Bruno Neto 

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Os homens e a terra


A terra, a posse e a violência
O terno, a gravata e a caneta
A farda, o capacete e a arma
Sobre a terra caminham homens

Homens de olho na riqueza da terra
Homens que enterram os empecilhos
Na mesma terra, sempre ela
Terra bendita explorada por malditos

O brilho do ouro, do diamante
E o doce líquido negro
A maciez do papel moeda
Na terra, o sangue e o suor

A terra, a posse e a paz
O uniforme, o martelo e a foice
O parco pano, a coroa e a cruz
Sobre a terra caminham homens

OTÁVIO SCHOEPS

Muitas pessoas


São muitas pessoas
Como ter confiança?
Alguém caçoa
Quebra a aliança

E são muitas pessoas
Ora ligando, ora rompendo
A massa nada diz, e se diz caçoa
A massa se espalha correndo

E são muitas pessoas
Aqui a liberdade é  
Estar preso a conceitos
E alicerçando pré-conceitos

E são muitas pessoas
Tem que ter um sentido
E que não seja criado ao acaso
Para não nos sentirmos rendidos

OTÁVIO SCHOEPS