domingo, 11 de setembro de 2011

Nos confins


Onde não tem câmera
Onde a voz não ecoa

Também acontecem coisas
A ofensa guardada no peito
O xingamento rasgado
O insulto bem argumentado

Se não justifica
Ao menos explica

Se todos vêem
O senso comum vem
A sociedade se mostra
Falsa e chocada
Pasma e ingênua

O que querem mesmo é bom tom
Querem as flores e não os espinhos

E aqui é o que é

O prato vazio é
Um prato cheio para quem quiser
Ser Santo
O descamisado é
O tecido para seu manto

OTÁVIO SCHOEPS

sábado, 10 de setembro de 2011

A idiotização em massa / Sociedade do Espetáculo

"Olá galera, nesta linda manhã de sábado irei postar um manifesto que escrevi quando estava puto da vida com as coisas. O texto tem bastante energia, vinda da mais profunda raiva e angústia de um ser, e chega até a ser depressivo em certas partes. Enfim, embora esse meu momento já tenha passado, o texto ficou, e quero compartilhar ele com vocês, amigos e leitores do Lâminas Verbais."

Capa do Livro A Sociedade do Espetáculo - Guy Debord


No atual momento, neste exato agora, reina a idiotização coletiva. A TV só nos mostra coisas imbecis, coisas sem lógica, e sobretudo, que não nos oferecem o menor acréscimo intelectual.
Vivemos a beira da completa imbecilização social. Não estamos muito longe do apocalíptico mundo de George Romero, ou então das Distopias de Orwel e Bradbury.
A calamidade toma conta, e invade nossas casas todos os dias, todas as noites. Acordamos com um cínico Bom dia Brasil, e adormecemos com o perverso "Boa Noite" do casal de narcisistas.
Caminhamos pelas ruas com dispositivos nos bolsos, espécies de localizadores, e o pior, por livre e espontânea vontade. Não lemos nada e nem escrevemos nada. Pagamos para ser dopados, e somos dopados para suportar trabalhar e ganhar o suficiente para pagar pelo doping.
Me sinto meio-morto, meio-vivo, me sinto morto-vivo. Nunca pensei que as coisas seriam assim. E o pior de tudo é que acabo me tornando um chato, pelo simples fato de que e meio toda esta tragédia, sou um dos poucos que não está contente.
É a Sociedade do Espetáculo  de Debord, onde todos telespectamos, vegetamos, e contemplamos o, absolutamente, nada.
Juventude revolucionária usada para por em desuso o que foi produzido e tem de ser substituído. Tudo o que é feito é desfeito e tudo que se tem não basta. Compre um objeto e mova o país, compre mais outro e seja feliz ( por um tempo ).
Não me encaixo neste mundo, não compreendo por que permitiu-se que as coisas ficassem assim. Me jogaram de calças-curtas no gelo, me mandaram conter um incêndio com saliva e boa vontade. Mas aqui estou eu, vinte e um anos e vivo. Mais vivo que morto, espero eu, nesta cratera de sonambulismo e pesadelos.


Marco Aurélio






sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Será que a mídia influencia a opinião das pessoas???


Materiais e técnicas utilizadas:
Papel sulfite, lapiseira, lápis de cor
 e acabamento de elementos do
 segundo plano e dos personagens 
no Photoshop. 
chargista: Rodrigo Petit


Sugestão de Leituras

Indústria Cultural: revisando Adorno e Horkheimerdisponível em: <http://www.nead.unama.br/site/bibdigital/pdf/artigos_revistas/211.pdf> último acesso em 17/09/11.
Este é um artigo produzido por uma equipe interdisciplinar de pesquisadores ligados às ciências humanas que faz uma explanação dos principais conceitos desenvolvidos por Adorno e Horkheimer ligados à temática da indústria cultural. Estes filósofos ( pesquisadores de uma corrente de pensamento filosófico intitulada Escola de Frankfurt) são referências bibliográficas para qualquer pesquisa que envolva estudos sobre a indústria cultural, cultura de massa, mídia e ideologia, etc. 



Dalética do Esclarecimento disponível para download em:
Este livro foi escrito por Adorno e Horkheimer e nele se encontra o capítulo intitulado (A Indústria Cultural: O Esclarecimento Como Mistificação das Massas) no qual eles discorrem sobre a indústria cultural. Este livro pode ser baixado na íntegra através do link acima. 

Sugestão de Documentários

The History Channel: O Controle da Mente - disponível para exibição em:
Um excelente documentário produzido pelo The History Channel que, em sua primeira parte, mostra tecnologias de ponta que estão sendo desenvolvidas por órgãos públicos e privados para ter acesso e, consequentemente, controle sobre a mente humana. 
Na segunda parte do documentário é demonstrado como a prática da fascinação e do controle da mente sempre foram utilizadas por políticos e líderes religiosos no decorrer da história humana para controlar o comportamento, as ideias e os desejos das pessoas.
Documentário fantástico e informativo: vale a pena assisti-lo! ;-)

Ass-Rodrigo Petit

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Mais uma do Professor Pedro


O Professor Pedro voltava para casa. Havia sido um longo dia de atividade, porém tão agradável que ele não apresentava o menor sinal de cansaço.
Era uma bela noite de setembro, e nosso já conhecido docente caminhava, despreocupadamente, pelas ruas da cidade - sim ele havia deixado na garagem o carro que tanto o aborrecia. Então, decidiu tomar um café antes de apanhar o ônibus, e como estava próximo ao Méquidonaldis, foi lá mesmo que foi buscá-lo.
Já no balcão, o Professor Pedro pediu um copo de café e um lanche - um daqueles da promoção - e aguardou. Durante a espera trocou umas palavras com a balconista, que era bastante simpática, para distrair-se um pouco, enquanto seu pedido não vinha. Não tardou muito e lhe entregaram uma bandeja com o que pedira. Então ele se sentou e apreciou sua refeição noturna.
Depois de comer seu lanche - que acabou rapidinho - ele decidiu acabar seu café do lado de fora, onde poderia terminar um cigarro de palha que havia deixado pela metade. Foi então que ele se levantou e caminhou calmamente para fora do estabelecimento. Já ao ar livre tateou seus bolsos até encontrar o "palheiro", mas não encontrou os fósforos. Estava sem fogo. Neste momento procurou por alguém que lhe pudesse ceder uma "brasa", e rapidamente avistou um grupo de estudantes sentados no estacionamento. Percebeu que alguns deles estavam fumando, e dirigiu-se até eles.
- Olá, desculpem-me por incomodá-los, mas será que um de vocês poderia me emprestar um isqueiro? - disse o professo Pedro com toda educação possível.
Seu pedido é prontamente atendido. Ele coloca seu copo de café no chão e calmamente acende seu cigarro. É nesse instante que ele percebe uma bonita garota - do grupo de estudantes - a lhe fitar. Os olhos dela eram castanhos, e brilhavam.
O Professor Pedro, embora bastante jovem, já vivera o suficiente para enrijecer-se contra esses assuntos do coração, porém o intenso olhar daquela garota o deixou meio abalado, um tanto quanto sem jeito. Foram alguns segundos apenas, exatamente o tempo que ele levou para acender seu cigarro, porém na memória de Pedro parecia muito mais.
- Muito obrigado, tenham uma ótima noite - diz o nosso docente, ainda desconcertado.
- De nada, você também. - emenda a garota, com uma voz suave.
E lá se vai o Professor Pedro, caminhando pelas ruas, reflexivo, e com o bonito retrato daqueles olhos brilhantes a lhe fitar.
Deveras aquele foi um dia agradável, que terminava alegremente, como há muito tempo não acontecia. Foi esta a conclusão que ele teve durante a viagem de volta. Cheio de cafeína nas veias, e de pensamentos na cabeça, ele ponderava.
Era incrível como algumas coisas tão pequenas eram capazes de animar a vida, e devolver o otimismo que o presente sistema insistia em lhe furtar. Cada dia mais ele se convencia de que as maiores necessidades dos homens são abstratas. Como o que ele sentira ao perceber o sorriso e os olhos brilhantes daquela jovem. Nem o café, nem o lanche e nem o cigarro, o que Pedro mais necessitava naquele momento era a agradável e abstrata sensação que aquela garota lhe causou. Abstrata, pura e simplesmente, abstrata.



Marco Aurélio




segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Millôr...um gênio.

Pessoal, post bem rapido, quase voando...

Sempre fui fã de cartunistas/chargistas da geração 80, como o Angeli, Laerte e Glauco, mas agora devido as nossas aulas sobre humor politico com o Sr.Walter, tenho descoberto um pouco mais sobre os caras das antigas, gente que veio antes como o Henfil, Jaguar, mas principalmente o Millôr Fernandes...

Como tenho visto a obra do cara a pouco tempo, ainda não tive tempo de filtrar o melhor, mas até onde tenho visto, tenho gostado de tudo!

Vou deixa-los com uma charge bem bacana sobre a burocracia, mas deixo tambem o "saite" oficial do cara, que tem MUITA coisa foda!




Galera, não deixem de ver tudo do cara, que é muito bom!
http://www2.uol.com.br/millor/index.htm

Abraços!
Thales B. Souzedo

domingo, 4 de setembro de 2011

Terra atraente


Atraente é a Terra traiçoeira
Quando apenas se quer lembrar
Das boas lembranças
Vagar nessa continua mudança

Atraente é a mente humana
Que se deixa levar
Pelo novo segmento
E depois o arrependimento

Atraente é a segurança
Nessa estrada pavimentada
A casa murada
Pelo corrimão da escada

A Terra atrai com seu magnetismo
A gente se trai para atrair
Atraído pela Terra traiçoeira
Fiquei pra trás e engoli poeira

OTÁVIO SCHOEPS 

sábado, 3 de setembro de 2011

Tererê


O Tererê, ou Tereré - dependendo da região -, é nada mais nada menos que Erva Mate ( Ilex Paraguariensis ) triturada, tomada com água gelada.
O recipiente pode ser tanto um copo comum, quanto a tradicional Guampa - chifre de boi cortado e vedado no fundo com uma tira de couro. Porém, é fundamental que se tenha uma bomba, instrumento que serve para filtrar a água evitando que a erva suba pelo bocal.
É uma bebida tradicional em vários países sul-americanos, como Paraguai, Argentina, Brasil e etc. Em nosso país - Brasil - é tomado tradicionalmente na região Centro-Sul.
O ato de se tomar um mate gelado é quase sempre envolto por um certo ritual. Normalmente consumido no final da tarde, com um grupo de amigos, o Tererê é passado de mão em mão, sendo que o líquido deve ser tomado até o final, então enche-se novamente o recipiente e passa-se ao próximo.
Bebida saudável, e de baixo custo, é ideal para confraternizações de amigos, refrescando nos dias de calor e animando os finais de tarde. Uma boa mateada é relaxante, serve para unir e aproximar as pessoas.

Segue abaixo o modo de preparo:

- Coloca-se o mate no recipiente - até pouco acima da metade. Então tapa-se o bocal com a mão e bate-se a erva, de modo que o pó grude na mão.
- Após isso inclina-se o recipiente até a posição horizontal, a fim de amontoar a erva próximo ao bocal - livrando o fundo e uma das laterais ( onde será introduzida a bomba ).
- Em seguida, preenche-se o recipiente ( ainda na posição horizontal ) com água gelada, e aos poucos coloca-se o mesmo na posição vertical.
- Está pronto seu Tererê, certifique-se de que a bomba está bem presa, e aguarde uns instantes até que a erva esteja completamente embebida em água. Ai é só saborear.


Boa tarde a todos vocês. E boa mateada, aos que, assim como este paulista aqui, resolveram experimentar essa bebida típica do pantanal.


Marco Aurélio.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Velocímetro

O velocímetro do automóvel aponta 60 km/h. São dez horas da noite, e ele dirige não se sabe para onde.
Há qualquer direção que vá, parece não haver rumo, parada e tampouco um lar. É como se o mundo não comportasse o ser que havia por trás do volante.
Já desaminara das coisas, e isso era nítido em suas faces. Sua barba, espessa, começava a apontar pelos poros de seu rosto, era evidente que não se barbeava há dias. O cabelo era crespo e estava embaraçado, também havia crescido além da conta, mais ou menos a altura dos olhos.
O homem, que era jovem, desgastado pelo pouco tempo que vivera, pelas muitas frustrações, e sobretudo pelo pesado fardo que carregava - a consciência das coisas - seguia pelas ruas.
A noite estava bonita, a lua podia ser mirada no horizonte, não havia muitos carros nas ruas. Era a perfeita ocasião para pensar, sobre a vida e sobre qualquer outra coisa.
Sua vida havia tomado um rumo que ele jamais imaginara, o sujeito estava realmente desacorçoado. Não, não! Não pensem que tratava-se de um suicida, não, isso jamais lhe ocorrera. O caso é que indignava-se, porém, sem acovardar-se. Sabia que era preciso continuar vivendo, continuar lutando.
Eram já quase onze horas e ele ainda viajava, seu carro rasgava o silêncio e a escuridão da noite com os faróis e o ronco seco do motor.
Tudo que o homem queria naquele instante era um trago de conhaque, uma garota com quem conversar e talvez umas baforadas de um bom tabaco. Essas necessidades eram fáceis de suprir, eram imediatas, e podiam ser imediatamente remediadas em um boteco qualquer.
E foi exatamente o que ele fez, parou no primeiro bar que encontrou, onde teve todas as suas imediatices atendidas. Porém, o vazio de sua alma não poderia ser preenchido, somente disfarçado.

Marco Aurélio