quarta-feira, 10 de agosto de 2011

VENTILADOR

Uma poesia visual gentilmente cedida pela amiga Marcela, do blog: http://memoriaspsicodelicas.blogspot.com/2011_02_01_archive.html





Ao ver essa poesia penso: - Nessa nossa vida precisamos de algo que ventile nossa dor, aquela dor que todos já sentiram em certos momentos.
Talvez essa dor se de por conta do vazio que - com maior ou menor frequência - sentimos em nosso ser. E nessa nossa sociedade de consumo, o vazio torna-se cada vez maior e mais frequente.
Então, ainda na lógica da sociedade de consumo, o vazio - na maioria das vezes - acaba sendo preenchido com futilidades, num frenesi absolutamente consumista.
Esse, muitas vezes é nosso ventilador - o consumo. E até mesmo o amor, que nossa querida poetisa cita em sua obra, acada sendo utilizado, pela publicidade, da maneira mais piegas possível, a fim de fomentar o consumo ( como diz Eduardo Marinho neste vídeo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=NMn_1rQ3sms ).
Enfim, de qualquer modo, seria necessária uma reflexão muito maior do que esta. Mesmo assim, não seriamos capazes de esgotar esse tema - a dor - tão rico e tão complexo, que envolve muitas outras coisas,   como, por exemplo, a questão da existência.


Por essas e outras vou ficando por aqui. Abraço a todos os amigos leitores, tenham uma ótima noite e uma excelente semana.



Só lembrando:

Estou imensamente agradecido pela gentileza de ceder sua poesia para essa publicação. Abraço Marcela =D





Marco Aurélio

domingo, 7 de agosto de 2011

A morte de Zé Camarão

Em um terreno baldio esquecido pela especulação imobiliária, jovens se reunião para cantar e fazer a cabeça “como eles mesmos diziam ao se drogar”. E um desses jovens era Zé Camarão, que uns diziam que o apelido era por ele ficar vermelho por causa do sol e outros pela merda que ele tinha na cabeça.
Ao som de Raul Seixas cantavam a liberdade, a liberdade de fazer sua própria lei. Vinhos, promessas de amor e de amizade, ódio ao estado e a corrupção e também toda a hipocrisia que lhes empurravam e não aceitavam.
Era noite de céu estrelado, um convite á confraternização, convite feito, convite aceito e lá foi Zé Camarão se encontrar com seus amigos e quem sabe conseguir ficar com alguma mina. Entre risos ao som do violão e de um bongô o baseado era cuidadosamente embolado e de todos compartilhavam e quando chegou a vez de Zé Camarão. Escutam passos e galhos de árvore quebrando, eram homens de cinza camuflados pela escuridão e quando isso acontece todos sabem o que se deve fazer quem está com o baseado deve engolir para não dar flagrante e justamente nesse trágico dia o baseado estava nas mãos de Zé Camarão que apagou a ponta com o próprio cuspe e enfiou na boca, porém ao engolir se engasgou, seus amigos tentaram o acudir, mas de nada adiantou Zé Camarão morreu engasgado com o baseado.
Foi o primeiro caso que alguém morreu com o uso de maconha e até hoje seus amigos oferecem o primeiro trago para o Zé Camarão, que no imaginário se tornou o protetor dos maconheiros.

OTÁVIO SCHOEPS

sábado, 6 de agosto de 2011

FUNCIONÁRIO DO MÊS - Pedra Leticia.

Uma boa paródia com o Mac Donald´s




Agradecimentos ao amigo Alex, pela indicação.




Abraço a todos, bom final de semana.



Marco Aurélio

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Os miseráveis / Furto








Furto
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

João vasculha a biblioteca, procura algo interessante para ler. A bibliotecária – que na verdade é uma professora afastada – o fita por cima de seus óculos de grau.
Parece não haver nada de muito atraente, tanto nas estantes quanto por trás dos óculos da bibliotecária. Ele passa a vista pelos volumes, ainda outra vez, e já desanimado se prepara para voltar para a sala - de mãos vazias.
Então, percebe um livro de capa simples, toda preta, com o seguinte escrito em dourado: Os Miseráveis. Este parece ser um livro de bom tamanho para João, ele retira o volume da estante, passa pela burocracia costumeira e volta para a sala de aula. Com o livro em mãos mal consegue ver as duas ultimas aulas de matemática.
Folhando as primeiras páginas percebe tratar-se de um romance, com histórias bastante tristes. Acompanhando a dura vida das personagens, começa a refletir. O título, Os Miseráveis, parece bem ambíguo para João.
Afinal de contas, a cada avanço da narração o garoto se convencia mais e mais de que Miseráveis não eram as personagens que viviam em condições paupérrimas, mas sim os “nobres” e burgueses que massacravam o populacho baseando-se nas razões mais mesquinhas, demonstrando com clareza toda a sua fraqueza moral e o esvaziamento de suas almas humanas.
João sensibiliza-se com o drama das personagens e devora o livro no mesmo dia. Ao final da leitura, estava diferente. Percebera que o mundo narrado por Victor Hugo não é lá muito diferente do nosso.
A diferença é que no momento Histórico que o autor retrata – brilhantemente – a exploração era descarada, e no presente instante é maquiada, está na penumbra.
Muitas dúvidas passavam pela cabeça de João naquela noite, mal conseguira jantar. Será mesmo que roubo é crime? Então por que nem todos que roubam são presos? Por que uns tem tão pouco e outros tem tanto? Será que deus fez isso de propósito para que as pessoas precisassem roubar dos que tem muito? E será mesmo que roubar para comer é crime, quando furtaram de ti todas as condições necessárias para se prover o próprio sustento?
João já não sabia mais se todas essas coisas eram verdades. Desde pequeno aprendera que é errado furtar. E agora, nada mais faz sentido. A impressão que João tinha é de que todas essas leis sobre roubo foram inventadas por aqueles que têm muito, a fim de evitar que as pessoas que não tinham nada pegassem de volta umas migalhas do que lhe foi saqueado.
Aquele livro realmente agitou a mente de João, fazendo-o perceber que a miséria pode significar riqueza, e que a riqueza pode significar miséria.



Somente lembrando ao amigo leitor, que em nenhum momento almejo - com essa crônica - incentivar roubos ou furtos. Apenas quero fomentar uma reflexão. Afinal, neste país o rigor da lei somente se aplica ao povão. Os Donos do Poder, e verdadeiros criminosos jamais são presos. Sendo capazes de conseguir dois Habeas Corpus no mesmo dia. É isso, espero que tenham gostado. Abraço a todos e até a próxima postagem.




Marco Aurélio

domingo, 31 de julho de 2011

O fruto da idiotice



O carro é rebaixado
A cara é de bobo
O sorriso é frouxo
A música é alta

O barulho domina
Para os padrões atuais de hoje,
Ele é um vitorioso
Ele gosta, as minas gostam,
Mas no carro só tem macho

O pavão motorizado
Sobre seu carro
Tem o ditado
“O idiota cuida mais”

Quando rebaixa ele esquece
De buracos e lombadas
Quando instala o som ele esquece
Quem nem todos gostam de suas músicas


OTÁVIO SCHOEPS

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Liberdade Ilusória



Liberdade Ilusória (propaganda)



Olhando ao nosso redor, vemos estampadas em todas as paredes marcas camufladas de um colorido intenso que se contrapõem ao mórbido cinza das cidades, alegram as metrópoles vendendo uma falsa idéia de um mundo harmônico e livre antagônico ao mundo distópico e déspota no qual nos contextualizamos. A propaganda que se faz presente em todos os aspectos ocidentais vende mais que uma marca, vende uma idéia, idéia de massificação contraditória a busca por singularidade vital para uma sociedade livre, você é o que veste, o que come, no que anda. Assim sendo me surge uma pergunta, o que você é?



Acreditamos (ou somos forçados a acreditar) que vivemos numa sociedade livre, porém o que realmente é essa nossa liberdade? Escolher entre coca-cola ou Pepsi? Vestir Nike ou Adidas? Escolher entre direita ou esquerda? Todas essas opções são pré-concebidas, e não fruto de uma autonomia individual ou de um ideal de cada um de nós. Embora algumas marcas se apropriam de imagens que remetam a uma ideologia a grande preocupação dessas marcas é o de lucrar cada vez mais.A liberdade nessa sociedade esta ligada a economia, nossa liberdade é unicamente a de consumo dentro de escolhas pré-concebidas (não por nós, nunca por nós). Nesse sistema pré-moldado nem mesmo o processo eleitoral está de fora.


A busca por um sentido num mundo tão desnorteado e caótico nos remete a um sentimento primitivo e poderoso, o de pertencimento a um grupo, é aí que a propaganda mostra toda sua articulação ao oferecer tal sentimento porém com único intuito de vender sempre mais, criando assim não uma identidade individual, mas sim um nicho econômico distinto de outro.


Essas marcas oferecem produtos diferentes , mas dentro de uma lógica única, a do capital, exemplo, uma mesma marca de roupa tem sua linha esporte e social, o público alvo não é o mesmo mas quem ganha com essa diversidade é a marca que vende tanto para X como para o Y. Essa é apenas uma das várias contradições presentes neste sistema de desigualdade e hipocrisia que é o capitalismo, a propaganda, braço direito da alienação, estende seus tentáculos cada vez mais em nosso modo de vida fundamentado em um cego consumismo compulsivo, cada vez que pensamos(ou somos forçados a pensar) ser livres a propaganda faz seu papel,de certa forma temos, como fora dito antes, liberdade(de consumo), porém nos falta a consciência para distinguir o que realmente escolhemos e o que fora selecionado para escolhermos.


Dica de documentário: “ O Império das Marcas”


Renan Bonassa

terça-feira, 26 de julho de 2011

Informe aos membros da equipe e leitores do Lâminas.

Galera, exclui a nossa agenda. Afinal, é visível que estamos tendo uns probleminhas em cumprir os dias estipulados. hehe.

Assim que voltarem as aulas da faculdade a gente conversa e vê se mantém a agenda ou se deixa assim mesmo, e cada um posta quando puder. De qualquer maneira, espero que o pessoal continue acompanhando nosso Blog, que por hora funcionará assim, sem compromissos com datas ou horários.


Abraço aos companheiros de Equipe e aos nossos queridos leitores.




Marco Aurélio

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Segunda-Feira / Ônibus










Trin trin trin, toca o relógio despertador, o sujeito acorda. Meio tonto, cabeça pesada, ainda entorpecido pelo álcool ingerido na noite que passou. Já se fora o fim de semana, e uma nova está para começar.
Fazer o que, é este o destino da grande maioria, acordar cedo quase todo dia e labutar até o final da tarde -em troca de seu ganha pão.
Ele se levanta, vai até o banheiro, lava o rosto as pressas, volta ao seu quarto, veste umas roupas de qualquer jeito e se prepara para engolir o café amargo da manhã. Já na mesa, troca algumas palavras rápidas com sua mãe - que incrivelmente já está de pé há um bom tempo. Uma rápida higiene bucal, e um beijo em sua velha mãe o lançam nas ruas. Agora, o dia começa para valer.
O ônibus da manhã normalmente chega rápido, mas sempre está lotado, e as mesmas caras de sempre - embaçadas, inexpressivas, pálidas... É neste ônibus que este sujeito viaja todas as manhãs, sem saber o nome de ninguém, nem ao menos o do motorista. Desconhece qualquer detalhe sobre a vida daqueles que estão confinados no mesmo lugar, todos os dias, todas as segundas feiras, a mesma coisa.
E na volta, não é nada diferente. As pessoas cansadas, exauridas, sem forças nem ao menos para expressar seu sofrimento. Ele se senta, e aguarda a partida do ônibus. A cada passageiro que sobe e caminha pelo corredor, uma expectativa. Pode ser uma garota bonita, que se sentará ao seu lado e alegrá a grande droga que foi o seu dia. Ou pode ser um cara xarope e espaçoso, que vai roçar seus membros pesados no pobre diabo a viajem inteira, ou então alguém que irá perturbá-lo com a música insuportável de seu celular sem fone.
Muitas das vezes a expectativa não se concretiza de nenhuma maneira, e o banco ao seu lado fica vazio. Por um lado é bom, pois haverá espaço para que o individuo fique a vontade, por outro é ruim, afinal, o pobre infeliz é tão desgraçado que nenhuma alma viva almejou sentar-se ao seu lado.









Assim são as segundas-feiras da maioria desse nosso povão, não só as segundas, como as sextas, os sábados e os domingos. Afinal, neste sistema nosso que é tão desigual, a diversão é privilégio de poucos. Pois além de não termos privilégio algum, ainda nos furtaram a criatividade, convencendo-nos de que a melhor forma de diversão é a dos que nos oprimem. Isso sim é uma grande sabotagem, e um crime sem perdão.





Marco Aurélio